Editorial A Tribuna

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Leitores de livros em queda

É preciso explorar melhor a obra digital para ampliar a leitura, lembrando que já há ferramenta pronta para isso

Uma das principais falhas da formação educacional do brasileiro é o baixo índice de leitura, óbvio reflexo do sistema educacional ineficiente. Em meio a esse contexto, a nova edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, conforme publicado na edição de ontem de A Tribuna, traz dados desanimadores, como desinteresse pelos livros, aumento do tempo dedicado aos smartphones (não necessariamente para leitura ou alguma outra modalidade de aprendizado) e analfabetismo funcional, impedindo o País de acelerar seus passos na área do conhecimento. Há pelo menos um dado muito positivo, que é a ampliação do número de leitores entre as crianças do Ensino Fundamental (dos 5 e 10 anos).

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De acordo com a pesquisa, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL) e o Itaú Cultural, entre 2015 e 2019 o País perdeu 4,6 milhões de leitores de livros, o equivalente à queda de 56% para 52% dos brasileiros que leem essas obras. Até a Bíblia perdeu espaço nesse intervalo de quatro anos, que caiu de 42% para 35% quando investigadas as modalidades preferidas.

Há muitas décadas se discute a necessidade de ampliar a leitura de livros no País, condição para aprimorar o nível intelectual da população. Entretanto, após garantir escola para todas as crianças, não houve salto qualitativo nas faixas etárias posteriores, onde há muita dificuldade para compreender textos mais complexos, apesar de tecnicamente a leitura estar dominada. Nesse campo não há muito o que fazer se o governo não realizar um investimento mais agressivo na qualidade dos anos escolares até a conclusão do Ensino Médio. Também ainda falta agressiva campanha para estimular os adultos a retomarem sua formação. Uma das dificuldades que os especialistas nas novas carreiras apontam é a incapacidade de ensinar tecnologia a quem teve educação básica deficiente. A reinserção desse grupo no mercado de trabalho dos próximos anos será extremamente dificultada, o que tende a resultar em desemprego ou piores salários.

A ampliação da leitura de livros tem duas frentes – à da indústria e a educacional. A de mercado enfrenta uma barreira – as publicações são caras para o brasileiro mais pobre e o acesso só pode ser ampliado por meio de incentivo fiscal, redução de carga tributária ou subsídio no preço, medidas com poucas chances de serem adotadas. Uma boa notícia é que o formato virtual não esmagou o prazeroso hábito de ler livro físico (67% preferem o papel e 17% o digital). Porém, é preciso explorar melhor a obra digital para ampliar a leitura, lembrando que já há ferramenta pronta para isso nas mãos de cada brasileiro, o próprio smartphone. 

Os governos deveriam implantar política de consumo de livros para melhorar a qualidade da leitura dos brasileiros, principalmente entre os que não estão na sala de aula. Considerando o reforço dado ao Fundeb, a sala de aula também permanece como meio para despertar o interesse pela literatura.

 

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