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Sábado

8 de Agosto de 2020

Editorial A Tribuna

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Lacunas a preencher

Projetos importantes para os municípios precisam de um fluxo didático e amplo de comunicação com a sociedade

A Prefeitura de Santos realizou, na última sexta-feira (31), audiência pública para apresentar o Estudo de Impacto de Vizinhança sobre um projeto que prevê a instalação de uma Unidade de Recuperação de Energia (URE) na área continental de Santos. E o que é essa novidade? É um empreendimento particular, a ser erguido na área onde já funciona o aterro sanitário, para onde são levadas, diariamente, cerca de 1.500 toneladas de resíduos domiciliares. A URE terá como objetivo transformar em energia elétrica micropartículas processadas do lixo, por meio da incineração, última etapa de um processo cujos impactos ambientais serão mitigados, segundo os empreendedores.

Se para o cidadão mais bem informado esse excesso de termos já é confuso, para a grande maioria da população é praticamente impossível entender do que se trata o novo projeto. E menos ainda qual é a relação desse empreendimento com a obra do parque municipal do Emissário Submarino.

Esse é um processo que bem ilustra a distância que existe entre os canais oficiais de comunicação e o cidadão. Audiências públicas, em geral, têm como finalidade dar transparência a projetos de impacto nas cidades, que envolvem algum tipo de compensação por parte da empresa interessada e que podem, de alguma maneira, interferir no modo de viver daquela comunidade.

O projeto da URE, a ser desenvolvido por uma empresa privada, é semelhante aos já implantados em outros países, que adotaram a mesma tecnologia para aumentar a vida útil de seus aterros sanitários. No entanto, é razoável admitir que falta aos órgãos públicos, em particular, fazer a informação circular de forma efetiva, abrindo espaço para dúvidas, questionamentos e opiniões divergentes.

Não é em uma audiência pública, feita de forma virtual, que o cidadão comum compreenderá todas as etapas do projeto, aderindo à ideia ou, ao menos, assimilando quais são seus benefícios. Compreender é o primeiro passo para incorporar novas formas de agir e se comportar no coletivo, e na questão do lixo, essas são posturas que fazem toda a diferença. Entender que aterro sanitário tem vida útil é, talvez, reduzir o consumo e gerar menos resíduos. É, também, reciclar, reusar tudo que for possível, dando oportunidade a cooperativas de catadores e toda a cadeia que vive dessa atividade. Aos empreendedores caberá facilitar essa comunicação, abandonando o glossário complexo e permeando com didatismo todas as camadas sociais.

Diferentemente de tempos passados, ampliaram-se os canais de comunicação e há mecanismos de transparência acessíveis a todos. O desafio é transformá-los em ferramentas úteis e de cidadania.

Para além da finalidade a que se destina, o projeto da URE pode ser uma boa oportunidade para por em pauta o debate sobre a geração de lixo na Baixada Santista, e sobre o papel de cada um na solução dos problemas coletivos.

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