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Terça-feira

14 de Julho de 2020

Editorial A Tribuna

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Isolamento aprovado no país

Pesquisa do Instituto Datafolha, realizada entre 1º e 3 de abril, revelou que 76% dos entrevistados consideram que o mais importante neste momento é deixar as pessoas em casa

A pandemia da Covid-19 provoca sentimento de medo generalizado entre todos. Trata-se de doença grave, que provoca mortes, principalmente entre aqueles pertencentes aos grupos de risco (idosos e portadores de doenças crônicas), fato que justifica o temor das pessoas. Relatório da consultoria Ágora Public Affairs & Strategic Communications, que possui escritórios em vários países do continente, mostrou, porém, que na América Latina os sentimentos majoritários são a raiva e a ansiedade. 

A empresa vem monitorando menções nas redes sociais desde janeiro, e as reações das pessoas estão ligadas às políticas adotadas por cada governo nacional, envolvendo decisões sobre confinamento horizontal ou vertical. No Brasil, prevalece entre a população a desconfiança (29% das menções), superando o ódio (15%), a raiva (12%) e a ansiedade (18%).

Os responsáveis pelo estudo atribuem esse resultado às divergências entre o Governo Federal, governos estaduais e municipais no encaminhamento de medidas de prevenção e combate ao coronavírus. Isso deixaria os brasileiros com muita desconfiança sobre o que vai acontecer no futuro imediato, explicando o elevado percentual que exprimem esse sentimento nas redes sociais.

Desconfianças à parte, com consequências no futuro quando a crise tiver sido superada, nota-se que a grande maioria da população brasileira aprova o isolamento social nos moldes atuais. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, 76% dos entrevistados consideram que o mais importante neste momento é deixar as pessoas em casa, e apenas 18% são favoráveis a acabar com o confinamento. 65% consideram que o comércio não essencial deveria continuar fechado (33% dizendo que ele deveria ser reaberto). Na mesma linha, 71% são a favor da proibição de sair de casa para quem não trabalhe em serviço essencial, com 26% contrários.

A pesquisa foi realizada entre 1º e 3 de abril, e revelou ainda que, em média, as pessoas entendem que o isolamento deveria durar mais 32 dias, mas consideram que ele acabará um pouco antes, após 29 dias. O apoio ao isolamento é maior no Nordeste (81% favoráveis), e o menor índice está na região Sul, mas mesmo assim bastante elevado (70%). Quanto à volta às aulas, 87% são contrários, e apenas 11% defendem a reabertura das escolas.

Os números, que são confirmados em todas as faixas de renda, com pequenas variações, revelam que a população brasileira está consciente da gravidade do problema e aceita os sacrifícios impostos pelas atuais medidas de confinamento horizontal. Não surpreende, portanto, que o apoio ao Ministério da Saúde (avaliações bom ou ótimo de seu desempenho), que vem reiterando, de modo firme, que é preciso ficar em casa, tenha aumentado de modo significativo, passando, em duas semanas, de 55% para 76%.

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