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Sábado

16 de Novembro de 2019

Editorial A Tribuna

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Futuro do petróleo

Especialistas afirmam que país será um dos pilares da sustentação do crescimento da oferta mundial do produto até 2030, atrás apenas dos Estados Unidos

Não se trata de ufanismo exagerado, como aconteceu logo após as descobertas das jazidas de petróleo e gás no pré-sal brasileiro. O momento atual é outro, e grandes especialistas não hesitam em afirmar que o país será um dos pilares da sustentação do crescimento da oferta mundial de petróleo até 2030, atrás apenas dos Estados Unidos.

Essa é a opinião do diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Faith Birol, para quem o Brasil "veio para ficar" como um dos principais supridores da commodity no mundo, confiando que o megaleilão dos excedentes da cessão onerosa, marcado para 6 de novembro, será "certamente um dos maiores da história do setor", apesar da saída da BP e Total do certame.

As perspectivas são, de fato, animadoras. As jazidas do pré-sal brasileiro representam o que há de mais atrativo na indústria mundial de óleo e gás. Além das enormes reservas, deve ser ressaltada a produtividade dos campos offshore nacionais, nos quais um poço pode chegar a 60 mil barris diários, cinco vezes mais do alcançado no Golfo do México, que se situa entre 12 e 13 mil barris por dia.

Na avaliação positiva dos especialistas internacionais, contam também as mudanças regulatórias que foram promovidas em 2016, que acabaram com a exclusividade da Petrobras ser a operadora única do pré-sal e abriram espaço para outras empresas, que passaram a investir nos leilões que têm sido promovidos, seguidas de alterações nas exigências de conteúdo local nos contratos, que teriam sido melhor equilibrados de modo a atender às necessidades do Brasil, mas sem tornar impossível produzir a custo competitivo.

As tensões no Oriente Médio, que levaram a um atentado terrorista à maior refinaria do mundo, a Saudi Aramco, fizeram com que cresça o interesse internacional pelas reservas brasileiras. A AIE estima que o país irá acrescentar mais 1,2 milhão de barris diários à oferta global até 2024, representando um aumento de 45% em relação aos níveis produzidos em 2018.

A produção deve crescer também no gás natural, visto como um combustível que emite menor quantidade de dióxido de carbono, gás de efeito estufa que contribui para o aquecimento global. A questão ambiental deve ser considerada no planejamento futuro: embora a demanda por petróleo não vá desaparecer rapidamente, é fora de dúvida que a petroleiras terão que usar seus conhecimentos técnicos e recursos financeiros na mudança gradual em direção às energias renováveis e à economia de baixo carbono.

Esse é o grande desafio que se coloca à exploração e produção de petróleo e gás no Brasil: seguir em expansão - afinal, o mundo vai ter que produzir 40 milhões de barris diários a mais em 2040 para responder ao crescimento da demanda - mas também preparar-se para uma nova realidade, realizando a transição energética que será cada vez mais exigida.

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