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29 de Março de 2020

Editorial A Tribuna

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Emprego público e qualificação

Enquanto no funcionalismo público, 50,4% dos profissionais têm, no mínimo, o ensino superior completo, esse percentual cai para 13,7% no setor privado

Em tempos de crise, com baixo crescimento econômico e desemprego elevado, as atenções dos que buscam desenvolver-se profissionalmente voltam-se ao setor público. Os concursos e nomeações têm sido escassos, pelas dificuldades orçamentárias por que passam União, estados e municípios, mas durante o passado recente houve nítido movimento de profissionais qualificados na direção de empregos e funções públicas.

Até aqui, antes da prometida reforma administrativa, as carreiras tinham grande atratividade, com salários iniciais mais altos e estabilidade assegurada. Dados da Pesquisa por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, confirmam o movimento e mostram que a concentração da mão de obra mais qualificada no setor público é o triplo da verificada nas empresas privadas do país. 

Enquanto no funcionalismo público, 50,4% dos profissionais têm, no mínimo, o Ensino Superior completo, esse percentual cai para 13,7% no setor privado. Fica evidente que as empresas não têm conseguido competir com governos municipais, estaduais e o federal na atração de talentos. Há disparidades entre as várias regiões do Brasil e, em Estados como Acre e Pará, a parcela de funcionários qualificados no setor público é seis vezes superior ao das empresas privadas.

Essa parcela é maior no Rio de Janeiro e São Paulo, que registram cerca de 20% de mão de obra qualificada no setor privado, mas em 10 das 27 unidades da Federação a relação não chega a 10%. Em Brasília, como era de se esperar, há o maior nível de escolarização em seu funcionalismo (70,8% do total), na medida em que a capital federal concentra ministérios, estatais e autarquias que demandam pessoal altamente qualificado.

O Brasil tem problemas em relação à formação de seus habitantes. Apenas 21% dos brasileiros de 25 a 34 anos têm diploma universitário, contra a média de 44% dos países desenvolvidos, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), e isso fica ainda mais complicado quando as empresas privadas não conseguem reter talentos em seus quadros.

É fato que os números relativos à alta qualificação do funcionalismo público decorrem da elevada concentração em carreiras que demandam ensino superior, como professores e profissionais da saúde. Também merece atenção que a fatia dos qualificados no mercado privado aumentou 49% entre os terceiros trimestres de 2012 e 2019, ante um crescimento bem menor (29%) no setor público.

O equilíbrio na distribuição do pessoal qualificado é desejável. A reforma administrativa, introduzindo mudanças nas carreiras e exigindo mérito e eficiência no desempenho, pode contribuir para isso. Mas o desenvolvimento é fundamental para que as empresas privadas possam investir nessas contratações e manter o pessoal qualificado. 

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