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Segunda-feira

22 de Julho de 2019

Editorial A Tribuna

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Economia travada

Economistas se baseiam em indicadores da atividade produtiva e do consumo para definir suas previsões, agora claramente pessimistas

Na semana passada, o boletim Focus do Banco Central deu a indicação mais contundente do pessimismo que contamina a economia. O estudo, que é feito semanalmente mediante consulta a economistas de 130 instituições financeiras, apontou uma previsão do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 1,49% neste ano. Além do percentual decepcionante, o problema é que há 15 dias os mesmos entrevistados apostavam em 1,7%. Retroagindo 30 dias, eles cravavam em 1,97%. Em fevereiro, os analistas achavam que o PIB avançaria 2,48%.

Apesar de ser uma previsão, esses economistas se baseiam em indicadores da atividade produtiva e do consumo para definir suas previsões, agora claramente pessimistas. Aliás coincidem com o acúmulo de trapalhadas do Governo Jair Bolsonaro, que após quase um semestre em vigor, praticamente não tem realizações a apresentar sobre o que realmente interessa ao trabalhador e ao empresário, que é gerar negócios e empregos.

Bolsonaro claramente tem se esforçado para cumprir a pauta de costumes de seu eleitorado, como foi o caso do porte de armas. Porém, neste item, acabou por irritar sua aliança parlamentar, que viu ingerência do Executivo no Legislativo ao regulamentar esse tema por decreto. Não se trata de um assunto econômico, mas com alto potencial para tumultuar a prioridade deste governo, com grande impacto nas contas públicas e fundamental para a sobrevivência do Estado brasileiro nos próximos anos e até décadas, que é a reforma da Previdência. O clima ficou tão pesado que aliados pragmáticos, como o Centrão, e das urnas, como a bancada evangélica, estão em confronto como Palácio do Planalto.

A atividade produtiva e o mercado financeiro indicam que rapidamente captaram esse imobilismo bolsonarista e a confusão política voltou a gerar desconfiança. É o mesmo problema que começou lá atrás, no Governo Dilma Rousseff. Sem sinais firmes, o consumidor não vai às compras, porque acha que pode ficar desempregado e o empresário não contrata, pois entende que os clientes não vão aumentar suas encomendas.

No caso de Bolsonaro, a situação dele é bem mais folgada. Dilma foi sufocada por uma recessão e um desarranjo nas contas públicos e na estratégia do Banco Central de conter a inflação. O ex-presidente Michel Temer conseguiu reaprumar o País em seu governo, mas acabou paralisado pelas investigações da Lava Jato. Bolsonaro chegou ao poder comum claro ritmo de recuperação da economia e a aposta era de que ele, com o discurso liberal do hoje ministro da Economia, Paulo Guedes, aceleraria a retomada. Entretanto, desde abril a economia dá sinais preocupantes, que neste mês ficaram mais evidentes. Há registros de outros anos em que o País se aqueceu no segundo semestre. Porém, já se está em maio sem sinal de que o País ganhará fôlego. A percepção que se tem é de que o problema está no descontrole do Palácio do Planalto.

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