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Terça-feira

15 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Dificuldades do primeiro emprego

Os jovens são o segmento mais atingido pelo desemprego. O índice entre aqueles que têm entre 18 e 24 anos atingiu, no segundo trimestre deste ano, 25,8%

O desemprego segue alto no Brasil, apesar da pequena redução ocorrida no segundo trimestre deste ano. A taxa ficou em 12%, com diminuição de 0,7% em relação ao trimestre anterior, mas o total de pessoas sem trabalho ainda soma 12,8 milhões. Os dados confirmam as dificuldades: cerca de um quarto dos desempregados, que representam 3,35 milhões de indivíduos, estão em busca de emprego há dois anos ou mais. Além disso, a pequena recuperação que vem ocorrendo se deve basicamente ao trabalho informal, sem registro em carteira, com remunerações menores e sem direitos, como férias, 13º salário e Fundo de Garantia.

Os jovens são o segmento mais atingido pelo desemprego. O índice entre aqueles que têm entre 18 e 24 anos atingiu, no segundo trimestre deste ano, 25,8%, mais que o dobro da média nacional. São pessoas que, em sua maioria, buscam seu primeiro emprego, e têm enfrentado enormes dificuldades para obtê-lo.

A difícil situação econômica explica parte dessa situação. As empresas, de maneira geral, não estão fazendo contratações, e muitas delas, em razão da queda da demanda, têm sido obrigadas a demitir, e os funcionários mais recentes (muitos deles jovens) são os primeiros a ser atingidos. Mas há outro fator, que merece atenção: trata-se do despreparo e falta de qualificação dos jovens que concluem o Ensino Médio (ou até mesmo o profissional), que não os habilita a preencher as vagas abertas no mercado de trabalho.

Os números assustam: de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, 4,2 milhões de brasileiros de 18 a 24 anos não conseguem trabalhar. Eles passam a formar um grupo conhecido como “nem-nem”, no qual as pessoas não estudam nem trabalham, configurando grave problema social e econômico. Mesmo aqueles que terminam cursos superiores se veem excluídos nos processos de seleção, com recrutadores optando pelos mais experientes. Tal situação obriga muitos jovens a aceitar empregos fora de sua área de formação, sem exigência de tanta qualificação, mas com remunerações menores e, em muitos casos, sem registro em carteira, engrossando o número de informais no País.

É preciso investir na formação e qualificação da mão de obra. Esse papel é do Estado, mas também das empresas, que precisam desenvolver, por meio de parcerias com instituições públicas e privadas, cursos e treinamento para seus atuais e futuros empregados. Além disso, é necessário criar incentivos à contratação dos jovens, que poderia passar pela redução da contribuição patronal para o INSS, reduzindo seu custo na folha de pagamento das empresas. 

A aposta maior está na área de tecnologia. Nesse sentido, é importante que o Parque Tecnológico de Santos vire realidade e possa contribuir para reduzir o drama atual de milhares de jovens na região.

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