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Sábado

8 de Agosto de 2020

Editorial A Tribuna

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Desemprego em 2021

O governo não pode esperar os números do desemprego explodirem para decidir o que vai fazer

Mesmo com os mecanismos criados pelo Governo Federal para preservar empregos na pandemia, a Baixada Santista registrou o fechamento de 15,4 mil empregos (demissões menos admissões) no primeiro semestre. Frente aos efeitos econômicos da covid-19, os empregadores puderam suspender contratos de trabalho ou reduzir jornada e salários. Entretanto, é preciso olhar adiante e infelizmente o quadro não é dos melhores. Vários economistas acreditam que o desemprego vai ter uma espécie de segunda onda. Se no estouro do coronavírus, entre março e abril, a paralisação da atividade econômica esteve por trás do fechamento de vagas, nos próximos meses a expectativa é de que as empresas vão demitir por falta de clientela. O fechamento definitivo de 520 mil negócios no País devido à pandemia pode gerar um efeito em cadeia que ainda não se sabe até onde iria. Com o consumidor sem sustento ou com medo de perdê-lo, poderá haver uma grande decepção entre os comerciantes, prestadores de serviços e industriais com consequente esvaziamento de seus caixas. 

Tudo vai depender, é claro, se o governo vai conseguir ou não ser rápido para evitar o congelamento da economia. A União Europeia já decidiu injetar no mercado US$ 1 trilhão e é possível que os Estados Unidos apliquem o dobro disso. O mesmo já deve estar sendo feito em outras potências, como China, Japão, Austrália e Índia. 

No Brasil há o problema extra do esticão da pandemia. Em um país de dimensões continentais, a covid-19 migra para o Interior pelos corredores rodoviários, onde ainda há baixa imunidade. Por si só, essa disseminação já prejudica os fluxos econômicos entre as regiões e adia a volta à normalidade. 

Por outro lado, as medidas antidesemprego do governo terminam em dezembro e até agora não se conhece o plano emergencial do próximo ano. O Palácio do Planalto acena com a ampliação do Bolsa Família, medida que seria sustentada por novo imposto e que a classe política já passa a ver como eleitoreira para 2022. Assim, com novo tributo, o Brasil vai destoar do mundo, que está em uma fase de despejo de capital público na economia e não o contrário, do bolso da população para o aparato estatal. 

É fato que as contas públicas se deterioraram. Do rombo fiscal de quase R$ 130 bilhões (previsão antes da epidemia), já se espera um deficit de mais de R$ 800 bilhões. Contudo, o governo tem um arsenal mais amplo, como emissão de moeda, de alto risco inflacionário. Mas, com juros baixos, o Estado gasta menos com o endividamento e população e empresas podem obter crédito sem grandes custos. 

No caso da região, a desvantagem é o mercado de trabalho associado ao turismo e comércio. Sem possibilidade de aglomeração, não há como preservar empregos. Por isso, não há caminho sem empurrão do governo, que também não pode esperar os números do desemprego explodirem para decidir o que vai fazer. 

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