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Terça-feira

17 de Setembro de 2019

Editorial A Tribuna

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Corte de juros

A dívida bruta do País atingiu 78,4% do PIB em abril - no final de 2013 ela representava 51,5% do PIB evidenciando a gravidade da questão

Diante das dificuldades econômicas por que passa o País, com baixo crescimento e elevado desemprego, são aventadas medidas emergenciais, como a liberação de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS-PASEP para ativar rapidamente o consumo das famílias. Outra ação, percebida como mais efetiva, seria a redução, pelo Banco Central (BC), da taxa básica de juros da economia. A inflação, bem comportada - em maio, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de apenas 0,13%, a menor variação para o mês em 13 anos - e a economia muito fraca, com gastos públicos contidos, abriria espaço, segundo especialistas, para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC tomasse a decisão já na primeira reunião do segundo semestre, que acontecerá em julho.

Alguns defendem que a redução aconteça imediatamente, neste mês, mas é provável que o Copom aguarde a confirmação das expectativas baixas para a inflação e principalmente o andamento da reforma da Previdência no Congresso. É preciso, porém, considerar que diminuir a taxa Selic dos atuais 6,5% ao ano para algo em torno de 5,5% no final de 2019 não irá resolver o atual quadro de dificuldades enfrentado pela economia brasileira.

O corte de juros é justificado e necessário, e representa tomada de consciência das autoridades monetárias sobre o cenário presente, mas não se devem superestimar suas consequências. Muito mais importante é enfrentar o desequilíbrio fiscal das contas públicas. Nesse sentido, a aprovação de uma reforma previdenciária consistente, acompanhada da contenção de gastos com o funcionalismo e das despesas gerais do governo, abre perspectivas para maior investimento público, além de fazer crescer a confiança de empresários e consumidores.

A dívida bruta do País atingiu 78,4% do PIB em abril - no final de 2013 ela representava 51,5% do PIB evidenciando a gravidade da questão. As projeções apontam para a estabilidade dessa relação em patamar acima de 80% em poucos anos, o que seria desastroso. Basta lembrar que o Fundo Monetário Internacional (FMI) indicou que a média da dívida bruta dos países emergentes deve ficar em 53,4% do PIB em 2019.

Há ainda outros fatores a travar o crescimento nacional. Estudo de economistas do grupo financeiro Goldman Sachs indica quatro questões: o estoque de capital baixo; a perda de habilidade dos trabalhadores devido ao longo período de desemprego; os níveis mais altos de endividamento, tanto do governo como das famílias; e a alta carga tributária em quadro de grave crise fiscal.

Isso indica que, além da política monetária, é preciso promover reformas estruturais e aumentar principalmente a produtividade nacional, com investimentos em infraestrutura e em capital humano, único caminho para o desenvolvimento sustentável.

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