Editorial A Tribuna

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Como reagir ao tombo industrial

Nada como uma pandemia imprevisível para mostrar que há muitos desafios a serem resolvidos na economia brasileira

A queda da produção industrial em abril, na comparação com março, era esperada, mas o tombo de 18,8% é preocupante e sinaliza uma contração maior ainda no mês passado, cujos dados serão computados na próxima pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa forma, tanto o socorro do governo para as grandes companhias como o crédito oferecido às pequenas e médias empresas ganham importância redobrada. É a eficiência desses resgates que vai permitir ou não à economia brasileira reagir à recessão que se espalhou pelo mundo. Programas de ajuda bem elaborados e de célere aplicação diminuirão as chances da crise contaminar os agentes econômicos e avançar pelo próximo ano, restringindo-se apenas aos meses de 2020. 

Conforme o IBGE, o baque na produção industrial está atrelado ao fenômeno do isolamento social. Os setores que mais sofreram se referem ao chão de fábrica que foi paralisado ou com o funcionamento reduzido para evitar a transmissão do novo coronavírus. Os relacionados a segmentos essenciais, notadamente de serviços, esboçaram alguma reação. Entretanto, esse relativo bom desempenho foi mínimo e se verificou em apenas quatro ramos, considerando a comparação de abril último com igual mês do ano passado. Foram os casos de produtos alimentícios, higiene pessoal e limpeza, papel e celulose e indústrias extrativas. Mas bens de consumos duráveis, como veículos e eletrodomésticos, sofreram uma queda de 85%. 

Observar esses desempenhos é essencial para o Ministério da Economia saber calibrar as medidas de socorro, notadamente de oferta de crédito, postergação de dívidas e de política tributária para um momento de impactos socioeconômicos de difícil mensuração.

Há muitas dúvidas sobre o desenlace dessa crise e falta consenso sobre o que fazer frente a ela. Alguns economistas acham que as quedas da atividade econômicas são consequência natural da quarentena e que nos próximos meses a recuperação virá automaticamente, ainda que a um nível inferior ao do que era praticado no início do ano. Outros especialistas, mais pessimistas, lembram que a economia brasileira patinava desde o final do ano passado, praticamente estagnada, e que empresas ou segmentos já em dificuldades podem fechar de vez. 

O governo deslanchou programas eficientes para desestimular as demissões ou garantir renda aos informais ou autônomos, mas falta suprir o lado do crédito. As grandes empresas têm acesso facilitado ao mercado financeiro, mas este não é o caso dos pequenos negócios, que reclamam inclusive de juros altos, apesar da taxa Selic estar em níveis nunca antes tão profundos. Trata-se de reflexo de problemas antigos da economia brasileira, que combinam alta inadimplência e financiamento muito caro. Nada como uma pandemia imprevisível para mostrar que há muitos desafios a serem resolvidos. 

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