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Sábado

16 de Novembro de 2019

Editorial A Tribuna

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Ameaça a alta do nível do mar

Perspectiva para o final do século é sombria: até 2100, as terras que abrigam cerca de 200 milhões de pessoas poderão estar definitivamente submersas

Não são projeções catastrofistas, sem embasamento científico. Recente estudo publicado na prestigiosa revista científica Nature mostra que a alta do nível do mar fará com que, até 2050, pelo menos 300 milhões de pessoas em todo o mundo estejam sob o risco de inundações crônicas. E a perspectiva para o final do século é ainda mais sombria: até 2100, as terras que abrigam cerca de 200 milhões de pessoas poderão estar definitivamente submersas. 

No Brasil, há muitas regiões vulneráveis, e o litoral de São Paulo deve ser seriamente afetado. Na Baixada Santista, especialistas temem pelo futuro dos ecossistemas presentes nas áreas de mangue, além da diminuição da faixa de areia nas praias. Os locais mais críticos em Santos são a Zona Noroeste, que sofre há décadas com episódios de maré elevada, e a Ponta da Praia. 

Entre 2013 e 2017, os impactos das mudanças climáticas foram estudados em três cidades costeiras: Broward, na Flórida (EUA), Selsey, no Reino Unido, e em Santos, no Brasil. Destaque-se que Santos foi escolhida por ter dados mais completos sobre variações de marés e o georreferenciamento mais preciso. No caso santista, as mudanças climáticas provocarão a subida do mar em pelo menos 18 cm até 2050, podendo chegar a 45 cm em 2100, e a elevação total poderá atingir altura de dois metros durante marés altas, tempestades e ressacas. 

Cientistas concordam que é praticamente impossível evitar essas consequências. Mesmo que as ações de combate ao aquecimento global tenham êxito nos próximos anos, como resultado do Acordo de Paris, de 2015, a recuperação será lenta, e é preciso conviver com a realidade da elevação do nível do mar e seus efeitos no meio urbano. 

Impõem-se, portanto, ações de mitigação e adaptação. Ao lado da redução da emissão de gases de efeito estufa, que implicam mudanças estruturais no padrão de consumo da população e da redefinição da matriz energética mundial, além de novas formas de uso do solo e de produção agropecuária, deve haver planejamento para enfrentar as inundações e alagamentos inevitáveis. 

A barreira construída na Ponta da Praia, em Santos, como forma de conter os efeitos das ressacas naquele local é exemplo de atitude positiva, que pode minimizar as consequências. Devem ainda ser ampliadas, em toda a costa brasileira, estações de medição do nível do mar, capazes de acompanhar a evolução e permitir ações preventivas.  

Não se pode descartar a necessidade de reassentamento de moradores das áreas de risco. Se isso for feito com antecedência e de acordo com planos consequentes, os danos poderão ser evitados. O problema, em suma, é real: desde 2006 o nível do mar subiu 3,6 mm ao ano. Mantido esse ritmo, até 2100 o mar terá subido mais de 1 metro, invadindo as áreas costeiras e desabrigando populações.  

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