Editorial A Tribuna

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A gravidade dos incêndios

Discute-se ainda o potencial turístico da mata, que segue inexplorado. Ideias não faltam, mas ações efetivas rareiam

Se as queimadas da Amazônia já impressionam pelas proporções da destruição, os incêndios do Pantanal assustam não só pelo impacto ambiental, mas também pela proximidade com as cidades e as fazendas e possivelmente pelo alcance da fumaça no Sul e Sudeste. Deve-se registrar ainda as chocantes imagens dos animais pantaneiros carbonizados. Essas tragédias são resultado ao mesmo tempo da ganância do ser humano e das mudanças climáticas, mas poderiam ser de menores proporções ou até evitadas se houvesse uma maior determinação dos governos. Deve-se cobrar ainda resultados do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que não tem muito o que a apresentar e que gasta muito do seu tempo com debates com ambientalistas e o ator Leonardo DiCaprio. 

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Se na Amazônia o combate à destruição se dá em meio à uma discussão dentro do governo sobre se as chamas capturadas pelos satélites são efeito da limpeza de terrenos por pequenos agriculturas ou pela ação de desmatadores, o Pantanal fica mais exposto por estar mais associado às cidades. O bioma, além de ser mais explorado turisticamente, conta com grandes pecuaristas com atividade econômica legalizada e submetida às normas ambientais. O atual incêndio no Pantanal também provoca as nuvens negras que aparentemente já são identificadas do Rio Grande do Sul ao Paraná, o que exige mais estudo a fim de identificar o impacto ambiental desses incêndios pelo restante do País.

Assim como no ano passado, a Amazônia deverá estar entre os temas do discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia-Geral da ONU, que deve ser virtual, e muito pouco de resultados práticos pode ser apresentado. A defesa da soberania do Brasil sobre a Amazônia é legítima e indiscutível, mas é preciso avançar mais. Na Amazônia, o ambiente é muito mais inóspito que o do Pantanal e qualquer intervenção econômica precisa ser calculada. Há décadas se fala dos ribeirinhos e dos pequenos agricultores que vivem mergulhados na pobreza por meio da economia de subsistência e que até hoje continuam na mesma situação. Discute-se ainda o potencial turístico da mata, que segue inexplorado. Ideias não faltam, mas ações efetivas rareiam.

Porém, a preservacão ambiental é fundamental para o futuro não só dessas regiões como de todo o País, considerando as inegáveis mudanças climáticas. É fato que os satélites mostram, nas ondas de queimadas, focos concentrados ao longo das rodovias, principalmente entre o sudoeste do Pará e a região do Amazonas mais próxima a Rondônia e Acre. A destruição está escancarada, mas o governo permanece sem reação. 

O congelamento eminente do acordo Mercosul-União Europeia, que já era frágil devido à reação protecionista na França e em outros países, é o primeiro resultado claro dos erros do Brasil no meio ambiente. É preciso cuidar melhor da Amazônia, do Pantanal e dos outros vários biomas do País.

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