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Quarta-feira

27 de Maio de 2020

Direito Previdenciário

Sergio Pardal Freudenthal é advogado e professor universitário, especialista em Direito Previdenciário, atua há mais de três décadas em Sindicatos de Trabalhadores na Baixada Santista.

Quem vai morrer

Novo ministro da Saúde assustou bastante os mais velhos quando expôs a sua escolha fúnebre

Em meados da década de 1990, a tecnocracia neoliberal de todo o mundo reclamava sobre o encarecimento dos seguros sociais. Complicando o sistema de repartição – as contribuições dos trabalhadores em atividade garantem os benefícios dos aposentados – o trabalhador passou a ter menos filhos, em vez de algo entre dez ou quinze, no máximo dois.

Mas o pior mesmo, é que antigamente, depois de aposentado, o segurado morria logo, e agora, teima de seguir vivo por muito tempo. Como a vida não pode ser uma piada, o correto seria cobrar o necessário encarecimento do seguro social de quem tem mais. Alguma coisa assim como imposto sobre grandes fortunas, tributação sobre o sistema financeiro. Afinal, a verdadeira solidariedade é a que a lei determina.

Uma das coisas que a pandemia causa mundialmente é a exposição das condições sociais de cada país. Com toda a violência neoliberal, o Brasil vai sentir bastante os desmontes aplicados, no SUS desde o golpe de 2016, e no INSS desde 1995. A desigualdade social muito aprofundada nos últimos tempos será muito evidente nas próximas semanas, com o vírus alcançando as periferias.

Com o nosso sistema de saúde atingindo o colapso, será vergonhoso ter que escolher quem vai morrer, e o pior de tudo é o ministro antecipando qual seria a sua opção. Pode até ser que o susto aumente a aceitação da quarentena por parte dos “velhinhos”.

Vencida a pandemia, com certeza o mundo não será o mesmo. O colunista vem apostando que alterações serão positivas, com todos os choques e contradições, mas reduzindo substancialmente as desigualdades sociais. E, mesmo otimista, não se fia em “bondade humana”; mas sim em inteligência e ciência.

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