EDIÇÃO DIGITAL

Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

Rotinas de comunicação para lives

Rotina não é camisa de força. Não é fixar dia e horários rígidos. É apenas uma sequencia de ações que podem facilitar nossa comunicação e simplificar a nossa vida

“Hoje aconteceu uma coisa comigo que eu queria dividir com você. Impressionante como eu e outros profissionais de educação física temos sentido a seguinte dificuldade: Ao vivo, presencialmente, olhando no olho dos nossos alunos, a gente tem uma desenvoltura, consegue passar com muito mais facilidade, aquilo que a gente quer, e a coisa se desenrola de uma forma muito mais tranquila, a comunicação flui e o entendimento dos alunos é melhor. Online, pelo vídeo, pela internet, qualquer pequena dificuldade que acontece,  já te desestabiliza de alguma forma. Muito engraçado isso, curioso, de como ao vivo, presencialmente o profissional tem uma comunicação e pela internet, por lives, por vídeo ele vez por outra, claudica”

Leonardo Wichmann, profissional de educação física Profissional de educação física há mais de 20 anos, atleta da natação com larga experiência como treinador da natação, corrida e, triathlon.

Semana passada, recebi  essa mensagem do meu querido treinador, Leonardo Wichmann. Pra quem não sabe, eu sou apaixonada por corridas de rua e, antes da pandemia, treinava pelo menos quatro vezes por semana. Com a chegada da pandemia, tive que me adaptar às novas regras, e agora eu faço treino funcional, pilates e ciclismo indoors. Tudo por meio de lives. Que tem funcionado para mim,  maravilhosamente, diga-se de passagem. Por isso minha surpresa ao ouvir o depoimento dele. Logo que recebi a mensagem, respondi  que, provavelmente, ele estava sentindo falta  de alguns sinalizadores da nossa comunicação. 

Expliquei que esses sinalizadores são pequenas  reações  das pessoas com quem falamos, e que nos abastecem de informações de forma quase automática. Esses pequenos sinais, não só sinalizam se estamos sendo compreendidos, mas também moldam a nossa fala e determinam se continuamos numa direção ou se devemos ir em outra direção para sermos melhor entendidos. Só que nas  lives esses sinais não chegam pra nós de forma automática, nem no mesmo tempo que estávamos acostumados.  O único acesso que temos para nos certificar se estamos sendo entendidos são os comentários por escrito, que não acontecem em tempo real e podem ser de acesso mais restrito, sobretudo a um profissional de educação física.

Terminada nossa conversa, me dei conta que tem um outro detalhe importante: Como ele não tem, nesse momento, outra opção a não ser nos render às lives ele precisou se adaptar. E se adaptar significa reconhecer os limites da nova ferramenta e criar rotinas novas para nossa função. E é aí que está o mais difícil, pois isso dá trabalho e demanda energia.

Nosso cérebro é programado para trabalhar de forma automática, o máximo que puder. Tudo que repetimos com frequência se torna  habitual e passa a ser  realizado por essa via automática. Isso economiza energia do cérebro, que fica com mais espaço para trabalhar naquilo que é novo. 

Uma vez automatizado, é difícil mudar um comportamento. Diante de uma situação que não podemos mudar, como a pandemia, não temos escolha: temos que nos adaptar. Isso implica deixar no passado as rotinas que tínhamos para trabalhar, criar novas e nos adaptar a elas.   

A  historia do nosso querido Leonardo materializou pra mim uma sensação que eu já vinha percebendo em muitos outros profissionais de diferentes áreas. Rotinas são importantíssimas para a regulação e organização de todas as nossas atividades, inclusive a comunicação. 

Então, se você, assim como meu treinador Leonardo, já estava bem organizado no seu trabalho, e agora sente-se ainda não totalmente adaptado, pode ser que suas rotinas não estejam sendo eficazes. Talvez precise rever seus procedimentos. Vários autores sugerem rotinas indispensáveis para um dia mais tranquilo e produtivo, como rotinas para quando acordar e rotinas para antes de dormir, independente de como sejam nossos horários.

Nesse momento, alem dessas, nunca foi tão essencial ter um checklist de procedimentos e tarefas antes da atividade profissional que envolva a comunicação. Sugiro atenção a  três pontos:

- Tenha claro o que deseja transmitir;

- Certifique-se que imagem e som estejam funcionando perfeitamente;

- Combine com seus alunos intervalos regulares entre os exercícios para checar as mensagens e  garantir que todos estão em sintonia durante a live.

E lembre, rotina não é camisa de força. Não é fixar dia e horários rígidos. É apenas uma sequência de ações que podem facilitar nossa comunicação e simplificar a nossa vida.

Tudo sobre:
 
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.