Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

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Os três macaquinhos da pós pandemia

Entenda o que significa a teoria dos 3 macaquinhos

A imagem desses três macaquinhos sempre me encantou, e ao mesmo tempo intrigou. Ainda criança me perguntava: por qual motivo estariam eles, abrindo mão de um dos nossos cinco sentidos? Cada sentido é tão importante que eu não conseguia entender por que não ver, não ouvir ou não falar.

Mais tarde um pouco, compreendi que essa imagem tem um simbolismo importante na cultura oriental. Para o budismo, os gestos dos três macacos representariam a divindade de seis braços Vajrakilaya,  e o principal ensinamento seria não ouvir, não falar e não ver o mal. Dessa forma, nos manteríamos longe do mal. Há outras interpretações que ligam os três macaquinhos à paz e harmonia, atribuindo a eles o poder de proteger o lar das energias ruins e evitar que o mal se espalhe.

Para nossa cultura ocidental esse ditado acabou sendo associado a uma postura de fazer “vista grossa”, ou seja, não se meter com nada que não nos diga respeito. Esse tipo de postura pode ser interpretado como respeito ao espaço do outro, mas também pode ser associado à omissão.   Independentemente da interpretação, a ideia de não ver, não ouvir e não falar,  serviu de escudo para muita gente que sempre fugiu dos palcos e da fala em publico. 

Costumo usar muito essa imagem em minhas palestras, quando convido a plateia a pensar comigo o quanto a comunicação humana ainda ocupa um lugar essencial no mundo em que vivemos. Um mundo onde a tecnologia nos conecta com um toque do indicador. Tudo muito rápido e fácil. Aí vem a questão: Já que a comunicação pode ser tão rápida, fácil e eficiente, por que ainda precisamos falar usando a boa e velha boca?

A resposta é simples: O que chamamos de comunicação depende muito pouco das palavras. A maior parte do que, de fato, comunicamos vem de elementos não verbais, como  o tom de voz, o ritmo, a maneira de falar, a expressão da face. Elementos  que, por sinal, tem nos feito muita falta, nas videochamadas e videoconferências.   

Arrisco dizer que os macaquinhos da pós pandemia terão que abrir os olhos, destapar os ouvidos e abrir a boca. A comunicação presencial voltará mais forte do que nunca. Com todos os seus ônus e bônus, mostrando nossos pontos fortes e expondo  nossas vulnerabilidades, revelando, enfim, nosso lado mais humano. É nesse mundo que eu quero viver, quando a pandemia passar.

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