Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

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Máscara, pra quê? Os riscos gerados pelos negacionistas

"Especialistas em todos os assuntos" podem trazer riscos à população durante pandemia de coronavírus

Pode ser um cunhado, um primo, um tio ou até um colega de trabalho. Mas, quase todos nós temos alguém na família que é especialista em tudo. Eles têm uma opinião formada sobre qualquer assunto, discutem e analisam qualquer tema, inclusive os mais difíceis. Sem o menor pudor, têm palpites e soluções para qualquer problema, e não guardam apenas para si. Frequentemente, falam com tamanha propriedade e autoconfiança, que impressionam até os mais incrédulos. Falam tão bem, que acabam convencendo a si mesmos que estão certos.

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 Mas, o que leva uma pessoa a pensar que é mais competente do que alguém que realmente estudou e se especializou em um assunto?  David Dunning e Justing Kruger, psicólogos da Cornell University, pesquisaram exatamente esse assunto e descreveram o que denominaram “Efeito Dunning-Kruger”. O nome é difícil, mas o conteúdo é facilmente reconhecido por nós, especialmente nos dias de hoje: “Quanto mais incompetente uma pessoa é, menos ela tem consciência de sua própria incompetência”. Em outras palavras, esse efeito se aplica a indivíduos que não têm competência em uma determinada área, mas acreditam que sabem mais do que os verdadeiros especialistas num determinado tema.  São pessoas que superestimam suas próprias qualidades e ignoram a própria incompetência. 

Esse excesso de confiança em uma superioridade intelectual que não possuem, associada à falta de percepção de sua limitação, dão suporte ao domínio da oratória, que  leva multidões a acreditarem em suas afirmações e, infelizmente,  a tomarem decisões desastrosas.

Vivenciar esse efeito em um jogo de tênis ou de pôquer, não tem grandes consequências. Mas o que dizer quando o efeito envolve um assunto que coloca em risco milhões de vidas, como no caso da pandemia da Covid-19? E, pior: o que fazer quando o “Efeito Dunning-Kruger” ocorre de forma coletiva, como o que estamos assistindo nesse exato momento?  

Não é um, nem dois, nem dez. São milhares de pessoas que, ancoradas em suas teorias e crenças, sentem-se seguras para não usar máscaras de proteção. São milhares de pessoas que não acreditam no vírus, e que temem que haja uma conspiração por trás da vacina. E como na vida tudo sempre pode piorar, essas pessoas não se contentam em andar sozinhas na  contramão de todas as evidencias cientificas. Elas fazem questão de disseminar suas ideias negacionistas, fervorosamente. 

Felizmente, nunca é tarde para nos vacinarmos contra o Efeito Dunning-Kruger. E a vacina que os especialistas nos recomendam, é a informação. Mas a informação que reconhece e respeita os especialistas. A informação que se curva e se sustenta nas evidências cientificas.

Sigamos fugindo de discursos entorpecidos por certezas e crenças. Sigamos aprendendo a ouvir e a falar com tolerância e reflexão. E fazendo todos os dias o “teste” para nos certificarmos que não caímos, nós mesmos, na armadilha do Efeito Dunning Kruger.

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