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Quinta-feira

5 de Dezembro de 2019

Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

Fora dos holofotes também há vida (muito) inteligente

Comunicação é construção, é um processo de aprendizagem que está sempre de portas abertas e não tem prazo de validade

As novas tecnologias trouxeram tantas facilidades de comunicação que chegamos a pensar que a comunicação presencial, aquela do olho no olho, fosse perder espaço. A história está nos mostrando que não, que a comunicação feita com a boca, com a voz, com as palavras e com os olhos, ainda tem um peso enorme nas nossas vidas.

Nesse contexto, os extrovertidos nadam de braçada. Os modelos de sucesso pessoal e profissional, geralmente, tem um perfil desse tipo: são expressivos, falam com facilidade e com fluência, são desembaraçados e sociáveis por natureza. O que podem esperar, então, as pessoas que não se enquadram nesse padrão? O que podem esperar os tímidos e introvertidos, sensíveis e reflexivos por natureza, que costumam ouvir, mais do que falar? 

Foi exatamente sobre esse assunto que se debruçou uma pesquisadora americana chamada Susan Cain, que trata com profundidade sobre esse tema no livro: "O poder dos quietos – como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar". Nessa obra, ela diferencia, com clareza, o conceito de introversão, extroversão e timidez e ainda nos apresenta o conceito de ambiversão. É uma leitura que vale a pena, mas eu gostaria de antecipar, aqui, dois exemplos que ela apresenta no livro, de introvertidos que foram imprescindíveis para alguns avanços na nossa historia. 

O primeiro diz respeito a uma introvertida que mudou a historia dos Estados Unidos, mas que não ficou famosa. Quer ver uma coisa? Certeza que você já ouviu falar no Martim Luther King. Mas talvez você não conheça ROSA PARKS. E você vai ver que a história dele teve muito a ver com a história dela. A Rosa Parks era o tipo de pessoa discreta, que falava pouco. Ela vivia num tempo e num lugar onde a segregação racial era muito grande. Havia assentos reservados a negros nos ônibus e, se a lotação estivesse completa, os negros deveriam levantar para dar o lugar a um branco! Rosa fez isso a vida toda, até que um dia, cansada dessa e de outras tantas injustiças, decidiu falar uma única palavra, que mudou a historia dos EUA. Ela disse NÃO! Negou-se a dar seu lugar a um branco, foi retirada a força do ônibus, foi presa e humilhada. Esse episódio serviu como o estopim de uma bomba muito maior. Iniciou-se ali uma luta pelo fim da segregação racial, encampada, tempos depois, pelo extrovertido MARTIN LUTHER KING, cuja oratória, sensacional, nós conhecemos.

O segundo exemplo é o STEVE WOZNIAK.  Pra quem não conhece, ele foi o parceiro do Steve Jobs na criação da APPLE, responsável direto  pelo sucesso tecnológico da empresa. Ele era bom em “criar” e o Jobs era bom em “vender” produtos. Ele é uma figura hoje bastante reverenciada entre os nerds. Mas quando mais jovem, era um típico introvertido. Para ser produtivo e criativo, Wozniak gostava de “trabalho solo”, em escritório fechado ou mesmo concentrado em sua baia. Eram horas a fio trabalhando sozinho numa empolgação só! Pouca fala e muita ação… A comunicação mesmo, ele desenvolveu de outras formas, como, por exemplo, durante os 8 anos em que deu aulas para uma escola secundária e durante suas inúmeras atividades de caridade. Com o tempo, aprendeu a se abrir, a falar em público e até participou de um programa muito popular nos Estados Unidos, chamado Dançando com as Estrelas.

Então, se você não tem o perfil do extrovertido típico, um super comunicador de carteirinha, não se preocupe. Respeite o seu “modo de funcionamento”, matenha o foco e siga fazendo o que lhe faz feliz. Fique tranquilo pois comunicação não é condenação. Comunicação é construção, é um processo de aprendizagem que está sempre de portas abertas e não tem prazo de validade. Podemos melhorar nossa maneira de se comunicar em qualquer época da vida.

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