Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

Encarando nossas vulnerabilidades: 3 passos para falar melhor e viver mais leve

Quando nos mostramos imperfeitos para o mundo começamos um processo de libertação

Falar, eu? Deus me livre! Tenho vergonha!

As razões podem ser as mais diversas, mas o medo de falar em público sempre vem acompanhado de uma profunda sensação de vergonha. Esse sentimento universal nos limita, é doloroso e traz no seu íntimo uma sensação de que não somos bons o suficiente. 

Em outras palavras, a vergonha de falar em púbico esconde uma vergonha muito maior. A de se expor, de ser julgado e, sobretudo, de se mostrar vulnerável.

Recentemente, Brene Brown, pesquisadora na área de ciências sociais, tornou popular o conceito de vulnerabilidade e trouxe luz à compreensão de tantas limitações que nos impomos ao longo da vida em nome da “vergonha de se expor”. Em um de seus Teds mais populares, Brown afirma que no âmago da vergonha esconde-se uma sensação de vulnerabilidade extremamente dolorosa. É como se tivéssemos algo a esconder, que pode ser descoberto a qualquer momento. Ela segue enfatizando que é impossível alcançarmos plenamente nossos objetivos se não aceitarmos quem somos, com nossos erros, inseguranças e dúvidas. Ela traz um novo significado para a palavra vulnerabilidade, quando afirma que as pessoas que julgamos corajosas, são aquelas que não têm medo de se mostrarem vulneráveis.

Difícil pensar assim quando vivemos numa sociedade que supervaloriza os fortes, os corajosos e, sobretudo, os desinibidos! Uma sociedade que valoriza os extrovertidos e seu poder de persuasão. É com esses valores no inconsciente que educamos nossas crianças, sem perceber que com isso, colocamos aos nossos pequenos metas inalcançáveis que podem acompanhá-los o resto da vida.  

Se você se tem vergonha de falar, ou só se sente confortável para falar em situações em que tem total controle, comece a pensar que, quando nos mostramos imperfeitos para o mundo, começamos um processo de libertação. Tiramos um peso enorme dos nossos ombros e passamos a caminhar mais leves pela vida. Quando admitimos nossa vulnerabilidade estamos dando chance também ao amor, a alegria e à diversão. Vulnerabilidade não é fraqueza, é coragem.

Seguem três dicas para te ajudar nesse processo: 

  1. ADMITA SUA VULNERABILIDADE: Enquanto você não aceita que é imperfeito, você não estará pronto para agir de forma madura diante das situações de medo e insegurança, que fazem parte da nossa vida. Seguirá fugindo das situações de falar em público ou sofrendo excessiva e desnecessariamente por elas.
  2. LARGUE A MOCHILA PESADA: Para não assumir a nossa natural fragilidade, criamos estratégias cada vez mais elaboradas para nos proteger, e seguimos pela vida carregando um peso enorme nas costas, desnecessariamente. Fugimos ou supervalorizamos demais as situações de falar em público o que só nos traz perdas.
  3. PERMITA-SE VIVER NOVAS EXPERIÊNCIAS Ao assumirmos nossas vulnerabilidades, nos permitimos viver muitas experiências que, do contrário, não viveríamos. Fale com medo, mas fale.

Finalmente, tomo emprestadas as palavras de Brene Brown, quando ela diz que precisamos criar filhos imperfeitos, prontos para lutar pelo que querem, dando-lhes apenas a certeza de que são amados. Precisamos criar filhos que compreendam que não é possível controlar e prever tudo. Que é permitido errar. Que é preciso amar, mesmo que não haja garantias de que seremos correspondidos.

E que é preciso estar disposto a abandonar quem achamos que deveríamos ser, a fim de sermos quem realmente somos. E isso se chama Autenticidade. Melhor marca de qualquer comunicação.

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