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Quinta-feira

6 de Agosto de 2020

Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

Conflitos da comunicação familiar na quarentena

Como a assertividade pode ajudar você a controlar o stress, a raiva e melhorar as habilidades de comunicação com quem você mais ama

A quarentena nos tornou compulsoriamente mais próximos do que nunca daqueles que mais amamos. Estamos mais próximos fisicamente da nossa família, de sangue ou não, das pessoas por quem temos laços afetivos e as quais prezamos muito.  E isso é bom, não é mesmo? Afinal, quantas vezes dissemos:  “família é tudo” , “amo minha família”, “minha família é meu porto seguro”...

Só que o lado B do relacionamento, a Globo não mostra. É no microcosmo das relações familiares que os maiores conflitos aparecem e se intensificam. E na maioria das vezes, o jeito de nos comunicar com as pessoas que amamos  intensifica esses conflitos. “Eu já falei pra tirar o sapato antes de entrar!”  “Quantas vezes vou ter que falar que tem que passar cloro e não detergente, senão não mata o vírus”. O repertório é grande....

Às vezes falta clareza ao solicitarmos algo de que precisamos, às vezes sobra agressividade ao nos queixarmos de algo que não gostamos, às vezes falta coragem pra dizer “não”

A  capacidade de expressar nossos pontos de vista, sem culpa, e, ao mesmo tempo respeitar os direitos e crenças dos outros recebe o nome de Assertividade. A assertividade  é o eixo central da habilidade comunicativa. Além de melhorar nossa comunicação com quem está a nossa volta, ela pode  ajudar a melhorar  nossa  autoestima e a ganhar o respeito dos outros.

Não é fácil ser assertivo, mas traz muitos benefícios. Ajuda a evitar que as pessoas se afastem de você e ajuda você a não “ignorar” os outros.  Comportar-se assertivamente nos ajuda a ganhar autoconfiança e autoestima, além de nos fazer dignos do respeito dos outros. Cria relacionamentos honestos e situações inéditas de “ganha-ganha”, onde ninguém precisa perder, pra que o outro ganhe.

Hoje vou deixar 3 dicas para nos ajudar a construir nossa assertividade

-Use frases iniciadas com "eu": Usar frases iniciadas  com “eu” ajuda os outros a entenderem o que você está pensando ou sentindo a respeito de uma situação, sem soar acusatório. Veja a diferença: ao invés de dizer: “ Você não vê que  ta errado entrar em casa com o tênis que veio da rua? ” , diga:  “ Eu gostaria que você me ajudasse deixando o tênis que veio da rua, na entrada, pode ser? ”  Evite também dizer :  “Você já fez o que eu te pedi?” “Você precisa mudar esse seu jeito!” etc... Ao invés disso, diga simplesmente o quanto aquilo é importante  pra você .

-Pratique dizer "não": Se você tem dificuldades pra recusar solicitações, comece a “ousar” dizendo: “Não, eu  não posso fazer isso agora”. Mas não hesite – seja direto. Se quiser explicar porque você não pode fazer algo, faça isso de forma breve.

-Ensaie o que você quer dizer: Se é um desafio pra você, dizer o que você quer ou que você pensa, pratique o possíveis cenários que você pode encontrar. Diga o que você quer dizer, em voz alta. Você pode até escrever primeiro. Colocar no papel ajuda a organizar nossos pensamentos  e acaba virando um script. Depois treine com um amigo e peça um feedback sincero.

A assertividade é o estilo de comunicação mais saudável. Mas, infelizmente, ele não é o mais comum. Semana que vem vamos falar sobre  os outros 3 estilos, descritos pelos pesquisadores e por que é tão difícil (mas não impossível) emplacar pequenas mudanças.

Por ora, aproveitemos a quarentena para aceitar que boas coisas não vêm como “fast-food”. Bons hábitos levam tempo para serem incorporados por nós e exigem vigilância, disciplina e prática.

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