Caio França

Tem 32 anos e foi reeleito deputado estadual com 162.166 votos. É advogado formado pela Universidade Católica de Santos. Foi o vereador mais votado da história de São Vicente. É presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e coordenador da Frente Parlamentar de Apoio a Baixada Santista e Vale do Ribeira.

Somos um só povo!

Hoje, felizmente, escrevo sobre um assunto que me deixa confortável, pois é um tema que a humanidade luta há décadas, quiçá há séculos, que é a igualdade universal, liberdade e dignidade humana

Desde o início da quarentena, uns mais outros menos, mas todos nós estamos travando diariamente diversas batalhas para tentar minimizar os prejuízos sanitários e econômicos causados pelo Coronavírus. 

Além do mais, em situações normais, somos constantemente indagados a dar opiniões sobre diversos assuntos em nosso cotidiano, todavia, com o advento do isolamento social os questionamentos ficaram mais contundentes e, a depender da opinião sobre determinado assunto, fez com que surgissem divergências acirradas, ocasionando, inclusive, distanciamento entre amigos e familiares, como se não fosse suficiente o isolamento social.

Hoje, felizmente, escrevo sobre um assunto que me deixa confortável, pois é um tema que a humanidade luta há décadas, quiçá há séculos, que é a igualdade universal, liberdade e dignidade humana. 

Pensávamos que havíamos atingido o ápice ao instaurar uma crise política no meio de uma crise sanitária e econômica, mas os Estados Unidos conseguiram provar que ao mesmo tempo que lançavam um foguete com tripulantes à Estação Espacial Internacional (ISS), fato que não ocorrera nos últimos 09 (nove) anos, também era possível dar início a uma onda de manifestações e protestos contra o racismo que começou em Minneapolis, no Estado de Minnesota, e que hoje está espalhada por todos os estados americanos, inclusive, outros países. 

O que mais chama a atenção de todos não é o fato dos protestos ocorrerem durante o combate a uma das maiores crises sanitárias que já vivenciamos, mas a forma violenta com que os manifestantes estão demonstrando a sua indignação não somente pelo assassinato covarde do cidadão George Floyd por aquele que deveria o proteger, mas pelos inúmeros casos de abusos, perseguições e marginalização com que os nossos irmãos negros sofrem e vivem em pleno século 21. 

Diversas cenas de indignação e violência correm o mundo, mostrando que pouca coisa mudou nos EUA desde os assassinatos de Malcom X e Martin Luther King Jr. em 1965 e 1968, respectivamente. Martin Luther King Jr. defendia o diálogo, a conciliação e acreditava em mudanças sociais por meio da não-violência e da desobediência civil, tinha como inspiração o líder indiano Mahatma Gandhi. Já Malcom X pregava a resistência pelo combate, o uso da violência pelos negros para contrapor a violência sofrida por meio do racismo. Todavia, apesar das antagônicas formas de combate, ambos possuíam a mesma causa: lutavam pelos direitos civis dos negros e pelo fim da discriminação e da segregação racial nos EUA.

Os assassinatos de Malcom X e Martin Luther King Jr. seguiram ondas de protestos violentos como os atuais, algo que nunca mudou nos EUA e é um claro sinal de que o racismo estrutural segue causando danos à humanidade.

Respeito e entendo a dor e a revolta deles - americanos, população negra e pessoas que não são negras, mas que possuem empatia e não se calam neste momento -, pois diariamente tanto eles perdem irmãos como George Floyd quanto nós perdemos irmãos como João Pedro Mattos Pinto, 14 anos, menino negro, morto em casa em uma operação da polícia em São Gonçalo/RJ. 

Entretanto, sou do time de Martin Luther King Jr., pois por meio do diálogo, da composição e da educação acredito que é possível transformarmos, de maneira mais profunda e eficaz, a nossa realidade em uma sociedade mais justa, plural, multirracial e democrática.

Aproveito esse espaço para reconhecer o trabalho sério dos policiais que diariamente arriscam a vida para combater a criminalidade. A atitude desumana do policial de Minneapolis não passará impune e tem que ser punida com rigor, mas não podemos condenar toda a corporação. Vi a atitude de policiais que ajoelharam-se e marcharam em solidariedade a população negra nos EUA. 

Não podemos dar espaço para ignorância. Vidas negras importam. Somos um só povo!

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