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Domingo

12 de Julho de 2020

Caio França

Tem 31 anos e foi reeleito deputado estadual com 162.166 votos. É advogado formado pela Universidade Católica de Santos. Foi o vereador mais votado da história de São Vicente. É presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e coordenador da Frente Parlamentar de Apoio a Baixada Santista e Vale do Ribeira.

Os enfermeiros sempre estiveram lá!

O risco iminente de serem infectados pelo novo coronavírus em função do alto nível de transmissibilidade da doença os privou do convívio familiar

Nesta terça-feira (12) celebramos o Dia Internacional da Enfermagem. Uma data que em tempos normais marcaria a comemoração de uma função muito importante para os profissionais da área da saúde, no entanto, este ano, a data ganhou uma dimensão infinitamente maior, aliás, desde o início da pandemia de Covid-19, o reconhecimento a esta classe tem crescido vertiginosamente.

É verdade, eles sempre estiveram lá, na linha de frente, oferecendo toda a assistência aos médicos e pacientes, antes mesmo da pandemia. Mas muita coisa tem mudado nestes últimos intensos 60 dias. Para o mundo todo, em especial, para os profissionais da saúde. Sim, eles sempre exerceram a sua atividade com maestria no restabelecimento da saúde dos enfermos, sempre estiveram suscetíveis as infecções do ambiente hospitalar, mas nada, nada pode ser comparado ao que vivemos hoje. 

O risco iminente de serem infectados pelo novo coronavírus em função do alto nível de transmissibilidade da doença os privou do convívio familiar, muito mais do que a todos nós. Muitos enfermeiros se quer retornam aos lares ao final de um dia exaustivo de trabalho, combatendo o bom combate, com medo de contaminar o seu próprio núcleo familiar, buscando refúgio em hospedagens que ofereçam maior isolamento e distanciamento social.

A preocupação é legítima, o noticiário de ontem (12) apontava cerca de 90 mil profissionais da categoria infectados e 260 mortes em todo o mundo até o momento, com grande possibilidade de que este número seja superior em função da subnotificação das informações. No Brasil já são mais de 3 mil profissionais de enfermagem infectados e 100 mortes, o que corresponde a 38% das mortes da categoria no mundo.

A estatística já nos coloca à frente dos Estados Unidos, país mais atingido pela pandemia e expõe fragilidades no acesso aos equipamentos de proteção individual, que tem contado, neste período de quarentena, com a solidariedade de pessoas físicas e jurídicas para reforçar a confecção de máscaras, óculos e acessórios de proteção em geral.

E do ponto de vista emocional, como proteger o psicológico e assegurar a estabilidade psíquica desses profissionais? Alguns movimentos liderados por psicólogos e psicanalistas voluntários têm oferecido uma escuta terapêutica para que os profissionais da saúde possam compartilhar a sua angústia, a sua ansiedade e tensão. Alguns horários são abertos exclusivamente para ajudar os profissionais da área da saúde durante a pandemia. São formas louváveis de demonstrar retribuição, gratidão, respeito e carinho. É mais do que dizer obrigado, é reconhecer que você está ali também, disponível, pronto para ouvi-lo.

Mesmo diante de todas as dificuldades, o profissional de enfermagem, que compreende o auxiliar, o técnico e o enfermeiro, não foge à luta. O fantasma assombra. O medo existe, mas o desejo de vencer tudo isto é muito maior. São inúmeros os depoimentos desses profissionais reconhecendo a importância do seu papel e o orgulho de poderem desempenhar a sua função e contribuir com o seu país. A postura de enfrentamento desses profissionais deixará um legado incontestável, exemplo de coragem e resiliência a ser seguido por muitas gerações.

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