EDIÇÃO DIGITAL

Quarta-feira

21 de Agosto de 2019

Caio França

Tem 30 anos e foi reeleito deputado estadual com 162.166 votos. É advogado formado pela Universidade Católica de Santos. Foi o vereador mais votado da história de São Vicente. É presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e coordenador da Frente Parlamentar de Apoio a Baixada Santista e Vale do Ribeira.

Dia Mundial do Doador de Sangue: vamos abastecer os estoques?

Data é celebrada nesta sexta-feira (14) e é importante para promover a reflexão, conscientização e incentivo às campanhas de doação

Na próxima sexta-feira, dia 14, é celebrado o Dia Mundial do Doador de Sangue. A data é importante para promover a reflexão, conscientização e incentivo às campanhas objetivando o aumento dos estoques de sangue no mundo inteiro. O argumento mais forte para você, que se esforça em convencer um amigo sobre esse tão importante gesto de amor e solidariedade, é que não existe nada que substitua o sangue.

É diferente de um remédio, que com orientação de um especialista pode ser substituído por genérico ou similar. Quando uma transfusão sanguínea é indicada, não há nenhum procedimento médico ou medicamentoso que possa substituí-la. Sem o sangue é impossível sobreviver.

Quando se opta pelo procedimento da doação voluntária, que dura em média 40 minutos e também inclui cadastro, aferição de sinais vitais, teste de anemia, triagem clínica e coleta, a pessoa pode não pensar que hoje está na posição de doadora, mas que amanhã, devido às circunstâncias da vida, pode necessitar do sangue de algum doador. 

Refere-se aqui às ocorrências alheias à nossa vontade, como a probabilidade de exposição a acidentes e desastres em geral ou cirurgias eletivas de grande porte. Situações que nos colocam como potenciais receptores de transfusão sanguínea a qualquer tempo da vida.

Concomitante às situações emergenciais, a transfusão também é essencial na vida daqueles que dependem dela por motivo de doença. É o caso dos pacientes com enfermidades crônicas graves como anemia falciforme e talassemia, denominadas hemoglobinopatias, que impõem aos pacientes, dependendo da gravidade do quadro clínico, a necessidade de transfusões.

De acordo com a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), a anemia mais comum no Brasil e no mundo é ocasionada pela falta de ferro, entretanto, dentre as anemias hereditárias, a mais frequente é a anemia falciforme, transmitida por genes dos pais para os filhos. Em consequência de uma alteração genética, ocorre a produção da hemoglobina S, que desencadeia principalmente dores no corpo. 

A doença tem o predomínio em pessoas afrodescendentes, já que o gene (HbS) teve origem no continente africano. Porém, em países com alta miscigenação entre as etnias, como o Brasil, qualquer pessoa pode ter a anemia falciforme. Nos casos mais graves, com histórico de ocorrência ou tendência de AVC (Acidente Vascular Cerebral), são indicadas transfusões de sangue. Na maioria dos casos, não tem cura.

Menos comum, no entanto, não menos importante, a talassemia, também conhecida como anemia do Mediterrâneo, é uma doença hereditária trazida para o Brasil pelos habitantes dos países banhados pelo mar Mediterrâneo (portugueses, espanhóis, italianos, gregos, egípcios, libaneses). A principal característica é a produção anômala de hemoglobina.

Existem dois tipos de talassemia — alpha e beta – que podem manifestar-se nas seguintes formas: minor, intermediária e major. A forma mais grave é a major, que implica em transfusões de sangue regulares, a cada 20 dias em média, por toda a vida, e uso de medicamentos para eliminar o ferro que se acumula em determinados órgãos a partir destas transfusões.

Sem o tratamento, a pessoa não atinge a idade adulta. Ainda não se conhece a cura para a talassemia, mas há opções de tratamentos que tornam possível controlar a doença e fazer com que a pessoa leve uma vida normal.

Segundo o Ministério da Saúde, pessoas entre 16 e 69 anos podem doar sangue no Brasil. Para os menores de 18 anos é necessário o consentimento dos responsáveis e, entre 60 e 69 anos, a pessoa só poderá doar se já o tiver feito antes dos 60 anos. Além disso, é preciso pesar, no mínimo, 50 quilos e estar em bom estado de saúde.

O candidato deve estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas), não ter ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à doação e estar nutrido (evitar alimentação gordurosa 4 horas antes da doação). No dia é imprescindível levar documento de identidade com foto recente.

A frequência máxima é de quatro doações anuais para o homem e de três doações anuais para a mulher. O intervalo mínimo deve ser de dois meses para os homens e de três meses para as mulheres. Procure o hemocentro mais próximo da sua casa e acesse um manual completo, disponibilizado no site da Associação Brasileira de Talassemia sobre cuidados, restrições, mitos e verdades sobre a doação de sangue e informe-se! Uma doação de sangue pode salvar até quatro vidas!

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.