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Sábado

16 de Novembro de 2019

Caio França

Tem 31 anos e foi reeleito deputado estadual com 162.166 votos. É advogado formado pela Universidade Católica de Santos. Foi o vereador mais votado da história de São Vicente. É presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e coordenador da Frente Parlamentar de Apoio a Baixada Santista e Vale do Ribeira.

Óleo no Nordeste: #somostodosnordestinos

Em um último balanço, o óleo já alcançou 200 localidades em nove estados da região

Estamos completando quase 60 dias do aparecimento de manchas de petróleo nas praias paradisíacas do nosso Nordeste brasileiro, destino de milhares de turistas domésticos e estrangeiros o ano inteiro, até agora sem nenhuma responsabilização por tamanha tragédia ambiental. Em um último balanço, o óleo já alcançou 200 localidades em nove estados da região, incluindo dez unidades de conservação e o segundo maior coral do mundo, que fica na Praia de Carneiros, em Pernambuco.

Os prejuízos à biodiversidade e ao ecossistema são incalculáveis e devem se estender por décadas. As imagens do “piche” em meio às águas cristalinas são estarrecedoras. A substância altamente tóxica coloca a vida marinha em risco. Tartarugas e peixes têm sido encontrados mortos ou mergulhados em petróleo, entre outras espécies que surgem à beira mar. As aves também entram na lista dos animais diretamente ameaçados. Isso tudo sem calcular os estragos ocultos, que nunca chegarão ao nosso conhecimento.

A saúde humana também pode ser afetada, seja por meio da ingestão de alimentos contaminados ou do próprio contato de banhistas com os resíduos. Riscos estes aos quais inúmeros voluntários, comerciantes e organizações não-governamentais têm se submetido após a chegada do óleo à orla marítima.

Diante de um cenário desolador, comunidades locais arregaçam as mangas e, de maneira heroica, trabalham dia e noite para a limpeza das praias. Esta talvez seja a imagem mais comovente que carregaremos desse desastre. Segundo a Marinha do Brasil, mais de 900 toneladas de óleo já foram recolhidas.

Ainda que visualmente os impactos possam ser minimizados com a mobilização, que inclui esforços do Ibama, ICMBio, governos estaduais e municipais, não podemos esquecer daquilo que ficará submerso, no fundo do mar, entranhado nos corais e arrecifes.

As perguntas são inúmeras: Como se deu esse vazamento? O que será da vida das pessoas que vivem da pesca como meio de subsistência e fonte de geração de renda? Como ficarão os pacotes turísticos comercializados para estas praias nesta temporada de verão que se aproxima? Como será feito o monitoramento desse desastre ao longo do tempo? Quem vai pagar por todos esses danos? Os brasileiros anseiam por respostas, de Norte a Sul.

Como presidente da Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, estou acompanhando os desdobramentos das investigações para descobrir a origem do vazamento e exigindo agilidade na apuração desse crime ambiental sem precedentes na história do Brasil.

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