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Terça-feira

7 de Julho de 2020

Alexandre Catena Volpe

Acadêmico do quinto ano do curso de Medicina da Universidade Metropolitana de Santos. Foi Diretor do Comitê de Saúde Pública da International Federation of Medical Students Brazil - Comitê Unimes e, atualmente, é Presidente do Centro Acadêmico Dr. José Martins Fontes (C.A.M.F.) e da Liga Acadêmica de Medicina Legal. Fundador do programa Giovana Pascoal de Combate ao Câncer em parceria com a Giovana Pascoal e Coordenador da Comissão de Saúde Pública e Ação Social do NJE da Ciesp Santos.

A gripezinha que matou mais de 50 mil brasileiros (pais, mães, avós, filhos, amigos, familiares)

Nosso país é o segundo isolado em números absolutos de vítimas fatais em todo o mundo, atrás apenas dos Estados Unidos

O Brasil ultrapassou oficialmente a marca de 50 mil mortes por COVID-19, no último sábado (20), após a divulgação dos dados pelo Ministério da Saúde.

Nosso país é o segundo isolado em números absolutos de vítimas fatais em todo o mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (mais de 119 mil).

Na semana que passou, tivemos quatro registros de mais de 1.200 óbitos diários. Era como se tivessem caído seis aviões por dia. Uma tragédia, ou melhor, várias tragédias. 50 mil é um número, mas no caso da pandemia do COVID-19 esse número são pais, mães, avós, filhos, amigos, família.

E daí, Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre, declarou uma das vezes quando questionado o representante do povo brasileiro. Nenhuma palavra de compaixão ou solidariedade, nenhum dia de luto oficial.  Essa triste marca deixada pela maior tragédia do século 21, foi substituída pela explicação da prisão de Fabrício Queiroz, que estava escondido em Atibaia, na casa do advogado da família Bolsonaro.

Já pararam para pensar que 50 mil brasileiros tiveram seus sonhos interrompidos? Que 50 mil famílias não puderam ao menos se despedir de seus entes queridos? Que muitos desses 50 mil brasileiros foram enterrados em valas comunitárias? Que 50 mil brasileiros tiveram suas vidas interrompidas por um vírus que sufocou. Mas para que todo esse drama? A imprensa só está fazendo sensacionalismo, afinal o COVID-19 é apenas uma gripezinha, e para quem é atleta nem sintomas você sente.

Na sexta-feira (19), participando de um estágio em um hospital de Santos, pude acompanhar com colegas os carros levando as vítimas da COVID-19, cena lamentável, mas a realidade do nosso momento.

O apresentador William Bonner, no Jornal Nacional, trouxe um texto que reflete e diz a verdade: “A história com H maiúsculo que vai contar para gerações futuras o que de fato aconteceu. A história vai contar o trabalho valoroso de todos aqueles que fizeram de tudo para combater a pandemia, os profissionais de saúde em primeiro lugar. Mas a história vai registrar também, aqueles que se omitiram, os que foram negligentes, os que foram desrespeitosos. A história atribui glória, atribui desonra e história fica para sempre.

O fato é que se o Brasil tivesse um líder que planejasse e não debochasse ou menosprezasse a pandemia, talvez não teríamos hoje mais de 50 mil famílias chorando a morte dos seus familiares.

O COVID-19 vai com certeza mudar o jeito das pessoas no nosso país, que mesmo sem um representante, foi possível ver solidariedade, empatia e amor ao próximo.

Luto pelos 50 mil brasileiros mortos pelo novo coronavírus.

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