Tripulantes ucranianos não conseguem desembarcar no litoral de SP devido à guerra na Ucrânia

Marítimos em fim de contrato seriam substituídos por outros ucranianos. Troca foi cancelada devido ao conflito

Por: Daniel Gois  -  02/03/22  -  16:42
Atualizado em 02/03/22 - 16:48
Com quatro tripulantes ucranianos, navio Port Osaka está no Terminal da Usiminas, no litoral de SP
Com quatro tripulantes ucranianos, navio Port Osaka está no Terminal da Usiminas, no litoral de SP   Foto: Divulgação/Seaside Brazil

Quatro tripulantes ucranianos que estão no navio Port Osaka, atracado no Terminal da Usiminas, em Cubatão, não conseguiram desembarcar devido à guerra entre Rússia e Ucrânia. Eles retornariam ao país de origem por meio de um voo internacional, enquanto outros quatro ucranianos viriam, também de avião, para substituí-los, por conta do encerramento do contrato de trabalho. Porém, com os conflitos, quem está em solo brasileiro não consegue voltar para casa e a equipe na Europa não embarca para cá.


Clique, assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios!


A informação foi confirmada para A Tribuna pela agência marítima responsável pelo navio, a Seaside Brazil, e pela empresa encarregada de realizar a troca de tripulantes, a 7Shipping.


O Port Osaka chegou à Cubatão na sexta-feira passada, com 21 tripulantes a bordo. O sócio-diretor da Seaside Brazil, Flávio Santos, diz que os quatro tripulantes que deixariam a Ucrânia chegariam à Baixada Santista no domingo e iriam diretamente para o navio. Consequentemente, o desembarque dos ucranianos que estão no navio aconteceria na terça-feira.


Contudo, a troca foi cancelada devido às consequências da guerra no Leste da Europa, como o fechamento de aeroportos e a proibição de homens ucranianos, com idade entre 18 e 60 anos, de deixarem o país. A previsão é que o Port Osaka saia da Usiminas nesta quinta (3) e vá para o Porto de Praia Mole, no Espírito Santo.


"Conosco foi o primeiro caso (de cancelamento). Imaginamos que devem estar ocorrendo outros casos em outros portos do Brasil. A situação é muito ruim, acabamos perdendo receita sem esse tipo de movimentação. Se não fosse o conflito, eles voltariam para o país de origem", afirma Flávio.


O CEO da 7Shipping, Leonardo Brunelli, afirma que a guerra tende a provocar, em dezenas de portos, impactos na troca de tripulantes de nacionalidades russa e ucraniana.


"Os tripulantes (ucranianos) estão 'presos' a bordo do navio, sem saberem quando poderão embarcar e retornar para seu país de origem. Eles já estão com o contrato de trabalho vencido. Enquanto não tiver a definição dos conflitos, eles terão de permanecer a bordo até que se encontre uma solução. Não há nenhuma questão burocrática interna, envolvendo nosso País", explica Brunelli.


Respostas

Em nota, a Usiminas explica que o navio Port Osaka segue com a programação prevista de embarque e desembarque. A Reportagem procurou a Polícia Federal, responsável pelo embarque e desembarque de tripulantes no País, mas não obteve retorno.


Já a Santos Port Authority (SPA), por meio da assessoria de imprensa, disse que o terminal em questão fica fora do Porto Organizado e que, até o momento, não há notificação de impactos no Porto de Santos causados pelo conflito na Europa.


Guerra entre Rússia e Ucrânia traz impactos ao embarque e desembarque de tripulantes
Guerra entre Rússia e Ucrânia traz impactos ao embarque e desembarque de tripulantes   Foto: MARIENKO ANDREW/BARROCOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Guerra na Ucrânia

A invasão russa ao território ucraniano começou na madrugada de quinta-feira (24). O presidente da Rússia, Vladimir Putin, tem ordenado bombardeios a aeroportos e bases militares da Ucrânia.


Antes da invasão, na segunda-feira (21), Putin reconheceu a independência das regiões separatistas de Donetsk e Luhansk.


A guerra também é motivada pelo receio russo quanto a uma possível entrada da Ucrânia, país vizinho, na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), conhecida como Aliança Militar do Ocidente. A organização tem como princípio que todos os países membros defendam uma nação que seja atacada por um país de fora da Otan.


Logo A Tribuna