Porto de Santos terá projeto para agilizar comércio exterior

Reino Unido financia programa na cidade para integrar sistemas das autoridades do setor portuário

Por: Fernanda Balbino & Da Redação &  -  11/12/19  -  13:52
Equipe do projeto Sistemas Comunitários Portuários explicou programa para comunidade portuária
Equipe do projeto Sistemas Comunitários Portuários explicou programa para comunidade portuária   Foto: Matheus Tagé

Garantir, nos próximos 46 meses, a liberação de cargas de importação em dois dias e agilizar exportações em apenas um dia no Porto de Santos. Este é objetivo do projeto Sistemas Comunitários Portuários (PortCommunity Systems, no original em inglês). Segundo seus responsáveis, a meta será alcançada com a integração de sistemas e de informações já existentes no comércio exterior em uma única plataforma.


O projeto será financiado peloProsperityFund, um fundo de cooperação do Governo do Reino Unido para países em desenvolvimento. Ele foi apresentado à comunidade portuária ontem, em seminário realizado no auditório do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos e Região (SDAS), na Cidade.


Para implementar esse projeto, oProsperityFundcontratou um consórcio de empresas, liderado pela consultoriaPalladiumUK, e com participação da AliançaProcomex, EY Brasil e da Universidade de São Paulo (USP).


Segundo o líder do projeto de modernização portuária do consórcioPalladium, Marcelo D’Antona, o montante a ser aportado é de 17 milhões de libras, o equivalente a quase R$ 100 milhões. O valor será investido na construção de uma plataforma que reunirá todos os programas de controle já utilizados por autoridades portuárias e de comércio exterior.


Para o executivo, o desenvolvimento da tecnologia representa 20% do processo. Os outros 80% levam em conta a definição de problemas e mapeamento dos procedimentos já utilizados.


O líder do projeto explica que tornar disponíveis as informações já apresentadas pelos entes comércio exterior é o principal desafio da nova plataforma. Mas, para isto, é necessário que todos os processos sejam destrinchados. “Estamos na etapa inicial do projeto, que é identificar os atores, engajar os atores, é isso que nós fizemos aqui hoje. A partir do início de 2020, vamos organizar reuniões para definir prioridades e os processos que nós devemos trabalhar primeiro”


Segundo D’Antona, o projeto nasceu há dois anos e também deverá ser aplicado nos portos do Rio de Janeiro (RJ), Suape (PE) e Paranaguá (PR). “Cada um dia de redução de permanência das cargas no Porto gera uma economia de 0,5% do valor da carga. É um valor substancial para importadores e exportadores”.


Não começa do zero


Para o diretor-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), Angelino Caputo, Santos sai na frente de outros portos no processo de mapeamento de procedimentos. Ele relembra os 64 projetos mapeados por uma consultoria contratada pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) há alguns anos.


Caputo aponta que procedimentos de tráfego e despacho aduaneiro também já foram mapeados pelaAbtra, que está engajada para contribuir no projeto britânico.


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