Exportações de café caem 7,4% entre janeiro e outubro no Porto de Santos

Quase 80% do produto vendido ao mercado internacional é embarcado no cais santista

Por: Fernanda Balbino  -  17/11/21  -  10:22
Exportações de café caem 7,4% entre janeiro e outubro
Exportações de café caem 7,4% entre janeiro e outubro   Foto: Carlos Nogueira/AT

Seguindo uma tendência nacional, as exportações de café pelo Porto de Santos caíram 7,4% entre janeiro e outubro deste ano, somando 25,5 milhões de sacas de 60 quilos. No País, a redução das operações foi de 6,3% no mesmo período e os números devem continuar em queda no ano que vem por conta de problemas logísticos mundiais que restringem a oferta de contêineres nos terminais. No total, 76,8% do produto vendido ao mercado internacional é embarcado no complexo marítimo santista.


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Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). De acordo com o presidente da entidade, Nicolas Rueda, a queda no volume das exportações reflete a continuidade dos conhecidos gargalos logísticos no comércio marítimo mundial. Entre eles, estão o desbalanceamento na oferta de contêineres, o que atrasa ou até inviabiliza o transporte da commodity.


“O cenário é preocupante porque especialistas do setor, com os quais nos reunimos em diversos eventos nacionais e internacionais, apontam que esses entraves devem se arrastar durante 2022, devido ao grande volume dos produtos agrícolas brasileiros acumulados nos portos e às safras que são escoadas a partir do segundo semestre”, explica Rueda.


Segundo os dados do Cecafé, houve uma queda na utilização de contêineres para as exportações da commodity. Nos dez primeiros meses deste ano, 93.579 TEU (unidade equivalente a um cofre de 20 pés) transportaram o café brasileiro rumo ao mercado internacional. No mesmo período do ano passado, foram 98.839 TEU.


Esta redução pode ter sido afetada pelos problemas logísticos causados pela pandemia de covid-19, que forçou o fechamento de diversos portos, principalmente na Ásia, e causou o represamento das caixas metálicas. Segundo especialistas, o problema ainda será sentido até, pelo menos, o primeiro semestre do próximo ano.


Outra preocupação apontada por Rueda é a elevação dos custos. “Eles têm contribuído para as fortes altas nos índices de inflação, gerado indisponibilidade de insumos essenciais ao agronegócio no Brasil e uma escalada nos preços que começa a preocupar os produtores como um todo. Logicamente, o setor cafeeiro não é poupado dessas aflições”, afirma.


Além do Porto de Santos, 23 complexos portuários brasileiros exportam o café. É o caso dos portos do Rio de Janeiro, que responderam por 16,1% dos embarques ao embarcarem 5,3 milhões de sacas, e Vitória (ES), com o envio de 977.384 sacas ao exterior, com representatividade de 2,9%.


Os portos de Paranaguá (PR) e Salvador (BA) aparecem na sequência. No primeiro caso, foram escoadas 480.751 sacas, 1,4% do total brasileiro. Já no complexo baiano, o volume escoado foi de 199.354 sacas, o equivalente a 0,6% das exportações.


Destinos
Até o final do mês passado, o Brasil exportou café para 119 países. Os Estados Unidos seguem como os principais importadores do produto, com a aquisição de 6,468 milhões de sacas, montante praticamente estável em relação às 6,489 milhões adquiridas no mesmo intervalo em 2020. O volume representou 19,4% dos embarques totais do País.


A Alemanha, com representatividade de 16,5%, importou 5,4 milhões de sacas (-8,2%) e ocupou o segundo lugar no ranking. Na sequência, vêm Itália, com a compra de 2,3 milhões de sacas (-7,7%); Bélgica, com 2,2 milhões (-22,6%); e Japão, com a aquisição de 2 milhões de sacas (+12,5%).


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