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Autoridade Portuária de Santos registra lucro recorde de R$ 202,5 milhões
Esta é a primeira vez que a APS apura dois anos consecutivos no azul desde 2014
Por: Fernanda Balbino  -  19/04/21  -  09:37
Leilão de terminais de celulose garantiu um reforço ao caixa da empresa   Foto: Rogério Soares/AT

A otimização de gastos, a revisão de processos e a redução de despesas levaram a Autoridade Portuária de Santos (APS) a registrar o lucro líquido de R$ 202,5 milhões no ano passado. A marca histórica da estatal que administra o complexo santista representa uma alta de 132% sobre o lucro registrado em 2019, que foi de R$ 87,3 milhões.


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Esta é a primeira vez que a APS apura dois anos consecutivos no azul desde 2014. Em 2020, a receita líquida cresceu 15%, para R$ 1,1 bilhão, impulsionada pelo desempenho do agronegócio nacional, o que proporcionou novo recorde histórico de movimentação de cargas, avançando 9,4% em relação ao ano anterior e somando 146,6 milhões de toneladas.


O resultado foi registrado enquanto o Governo prepara a desestatização da Autoridade Portuária, prevista para ocorrer no próximo ano.


Conforme dados divulgados pela empresa, as despesas administrativas recorrentes tiveram queda de 16% na base anual. Já os custos operacionais recorrentes cresceram 4,2%, abaixo do incremento verificado nas receitas, o que resultou em ganho de 1,6 ponto percentual na relação custos/receita líquida, indicando maior eficiência operacional.


Segundo a APS, os gastos com pessoal representam o principal item de despesa da companhia. “Ao longo de 2020, executamos diversas medidas que resultaram na redução de 20,6% do efetivo total do quadro de funcionários e proporcionaram uma queda de quase 12% nas despesas totais recorrentes de pessoal”, informou a empresa.


Entre as ações mais relevantes para a otimização desses gastos, estão o Programa Incentivado de Demissões Voluntárias (PIDV), com saída de 209 inscritos e a consequente economia anual prevista em R$ 60,9 milhões. Também houve a reestruturação do quadro de algumas áreas, o que resultou na redução de 38 colaboradores, proporcionando uma economia de R$ 14,2 milhões ao ano.


Também foi feita uma negociação nas regras do plano de saúde para inativos, que levou a uma redução de R$ 6,3 milhões no ano. A APS destaca, ainda, a diminuição das despesas com a renegociação de contratos, o aluguel de veículos, a limpeza de escritórios e copeiras, além de aluguel de impressoras e serviços de portaria e recepção.


Outra frente foi o aperfeiçoamento na gestão dos passivos com ações cíveis e trabalhistas. O total de despesas com essas demandas foi reduzido em 42,6% em 2020. A entrada de novos processos trabalhistas foi reduzida em73,2% em comparação com 2019.


Outras ações, desta vez relacionadas à operação, também ajudaram a reduzir despesas. Entre elas, as novas normas de atracação de navios, que simplificaram procedimentos e estimularam a produtividade, além da transferência dos serviços de amarração para a iniciativa privada.


Lucro


Com as ações, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), ajustado por eventos extraordinários, avançou 48,8% e alcançou R$ 502,7 milhões, margem de 47,5%, um crescimento de 12,6 pontos percentuais em relação ao ano anterior.


“O resultado reflete o turnaround iniciado em 2019 para assegurar o equilíbrio econômico e financeiro da Companhia, possibilitando, além da resolução de passivos históricos, como o equacionamento do déficit atuarial do plano de pensão, o fortalecimento do caixa da Companhia para viabilizar a melhoria contínua dos serviços e a realização dos investimentos indispensáveis para a sustentabilidade do principal ativo portuário nacional”, afirmou o diretor-presidente da estatal, Fernando Biral.


Leilões


No ano passado, foram realizados os leilões para arrendamento de dois terminais (STS 14 e STS 14A) destinados à movimentação e armazenagem de carga geral, especialmente celulose, na Ponta da Praia. Os terminais demandarão investimentos mínimos de aproximadamente R$ 380 milhões e renderão um total de R$ 505 milhões em outorgas que foram para o caixa da APS.