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Quarta-feira

21 de Agosto de 2019

Usiminas quer ampliar terminal portuário em Cubatão

Companhia planeja expandir atividade logística e construir nova infraestrutura marítima no Dique do Furadinho

O projeto de criação de um grande complexo portuário em uma área da Usiminas, em Cubatão, começa a ganhar corpo. A diretoria da empresa visitou o prefeito Ademário Oliveira (PSDB), ontem, e acertou os últimos detalhes para apresentar o empreendimento ao governador paulista, o também tucano João Doria. A medida sinaliza a opção da empresa em investir, de vez, no novo ramo.

O projeto envolve a construção de um terminal no Dique de Furadinho – região ao lado do atual cais da Usiminas Cubatão (antiga Cosipa) e às margens do Canal de Piaçaguera, no interior do Estuário de Santos – além da instalação de uma rede logística e portuária no terreno da siderúrgica, no distrito industrial cubatense.

O diretor-presidente da Usiminas, Sérgio Leite de Andrade, confirmou que trabalha em “dois grandes projetos” na área portuária e logística para Cubatão. Trata-se, nas palavras dele, da “instalação de um grande complexo logístico e portuário, que envolve investimentos de monta e prevê a construção de um porto”.

Para ser viabilizado, o plano da Usiminas envolve “uma parceria muito grande, com diversas empresas privadas”. “Nós estamos trabalhando nesse projeto junto da Prefeitura, do Estado. Esse é um projeto de longo prazo, que depende primeiro de nós concluirmos o projeto e, depois, é viabilizá-lo com parcerias”.

 Nessa concepção, a Usiminas entrará com a área e, depois, precisa que empresas se interessem em investir na retro área da instalação portuária e na construção do empreendimento. “A planta de Cubatão é absolutamente importante para nós. Na visita, apresentamos os projetos que estamos desenvolvendo de poder um dia construir uma nova estrutura portuária no Dique de Furadinho, com projetos de inovação. Pretendemos, eu e o prefeito, apresentar tudo ao governador João Doria brevemente”, acrescenta Leite.

O executivo ainda explicou que a empresa pretende usar de forma mais intensa o porto da unidade cubatense. “Nele, nós temos cinco berços e, em função da desativação das áreas primárias, ele ficou com uma capacidade ociosa. Então estamos buscando operar cargas de terceiros. Já estamos operando (coque calcinado de petróleo) com a Petrocoque”.

Leite se refere ao Terminal Marítimo Privativo de Cubatão (TMPC), localizado na área da Usiminas Cubatão e que é considerado estratégico pela empresa, em função da conexão rodoviária e ferroviária com os maiores centros produtores e consumidores do País. Desde julho de 2018, a Usiminas e a Petrocoque fecharam um contrato para o embarque do coque calcinado de petróleo pelo terminal. Na reunião de ontem, executivos da empresa afirmaram que, por mês, são movimentados dois navios, totalizando cerca de 200 mil toneladas por ano. O produto exportado é usado como matéria prima em indústrias produtoras de alumínio primário.

Diferencial

O terminal está a 70 km da Região Metropolitana de São Paulo e o acesso pelo Sistema Anchieta-Imigrantes e pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni é muito fácil. Além disso, conta com acesso pelas rodovias BR-101 (RioSantos) e Padre Manuel da Nóbrega, interligada à região Sul do Brasil. A malha ferroviária é atendida pela MRS, FCA e ALL. Na reunião como prefeito de Cubatão, ontem, outros executivos da Usiminas que acompanhavam o presidente da empresa apostavam nessas características para valorizar o projeto. “As empresas de operação ferroviária serão nossos parceiros principais. O potencial do nosso porto é muito grande, trabalhando com fertilizantes e capacidade de carregar até 25 milhões de toneladas de cargas granéis (ao ano)”, previu o diretor de Supply Chain (Cadeia de Suprimentos) da empresa, Alejandro Laiño.

Empresa descarta reativações

A Usiminas trouxe a notícia do novo empreendimento portuário para Cubatão, mas seus executivos também colocaram uma pá de cal nos planos de reativar a linha de produção cubatense. Segundo eles, a reativação dependeria de um investimento de cerca de R$ 1,4 bilhão, sem perspectiva de retorno por agora.

Segundo o presidente da Usiminas, Sérgio Leite de Andrade, a reativação das áreas primárias é um sonho da Usiminas numa visão de retorno de longo prazo. “Nós estamos trabalhando no projeto (de reativação) no sentido de ele ser viável. Para ser viável, esse projeto precisa de três condicionantes: primeiro, o Brasil precisa voltar a crescer acima de 2,5% e 3%, o projeto tem que se tornar viável e a empresa precisa ter recursos para investir”, argumenta o executivo.

Nos estudos da Usiminas, até agora a reativação da planta cubatense não é viável. “É um investimento de alto montante que não dá retorno. Nós estamos trabalhando para tornar o projeto viável. É preciso que a economia brasileira se reative, nós estamos confiantes nessa reativação da economia brasileira nos próximos anos”, comenta Leite. Desde outubro de 2015, a Usiminas implantou um processo de desativação da Usina Siderúrgica de Cubatão, que causou a demissão de mais 4 mil trabalhadores, afetando a economia regional. Os cortes atingiram trabalhadores diretos e indiretos, acompanhando um cronograma de desligamento dos equipamentos da usina — dois fornos, além da suspensão das atividades das sinterizações, coquerias, aciaria e atividades associadas a essas áreas.