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Sábado

29 de Fevereiro de 2020

Falta de combustível para navios causa prejuízos e atrasos no Porto de Santos

Greve é apontada como causa do problema, que força abastecimento de cargueiros em outros portos

Usuários do Porto de Santos denunciam problemas no abastecimento de cargueiros. Segundo o Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), o volume de combustível vem sendo fornecido pela metade às embarcações, o que força a partida para abastecimento em outros portos e prejuízos. A greve dos petroleiros pode ser a causa do problema.

A categoria parou no último dia 1º. Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro), cerca de 20 mil trabalhadores estão mobilizados. São 40 plataformas, 18 terminais, 11 refinarias e mais outras 20 unidades operacionais e três bases administrativas com trabalhadores em greve por todo o país.

No Porto de Santos, os cargueiros não estão recebendo todo o combustível solicitado. Apenas os navios de passageiros estão recebendo bunker conforme solicitado. 

Segundo as agências de navegação, há informações de que navios que solicitaram abastecimento de 1 mil ou 1,2 mil toneladas estão sendo abastecidos com metade deste volume. 

“Há navios que saíram para abastecimento no Rio de Janeiro e África do Sul. No porto de Paranaguá [PR], há uma resistência de abastecer navios saindo de Santos, talvez para não agravar o problema localmente no fornecimento de combustível para os navios escalando naquele porto”, destacou o diretor-executivo do Sindamar, José Roque. 

Em um caso relatado pelas agências marítimas, um navio ficou 12 horas atracado, enquanto aguardava abastecimento. Apenas neste caso, o prejuízo chegou a US$ 150 mil, o equivalente a R$ 646,5 mil. Os custos poderiam ser ainda maiores, caso fosse necessária uma mudança de berços, já que ainda se somariam custos adicionais com praticagem e rebocadores em uma nova atracação.

“Outra embarcação que não possui combustível suficiente para alcançar o próximo porto, a Petrobras prometeu abastecer com uma quantidade suficiente somente para completar a próxima escala”, destacou o executivo do Sindamar. 

O executivo ainda aponta que um cargueiro aguarda desde terça-feira por abastecimento. Há também uma embarcação que concluirá hoje sua descarga de trigo e precisa de 400 toneladas de bunker. Porém, não há previsão de recebimento do combustível. 

“A temporada de cruzeiros só aumenta a preocupação no abastecimento, já que o número de escalas de navios se elevou e se a greve perdurar por mais tempo poderá provocar um caos, mesmo diante de um plano de contingência adotado em suas unidades operacionais. Como a produção de derivados é um serviço essencial, poderá haver escassez do produto, e a sua falta afetará a cadeia logística de comércio exterior”, afirmou Roque.

Transpetro

Procurada, a Transpetro negou dificuldades no serviço. “Houve um problema pontual no abastecimento de navios que já foi regularizado e o fornecimento encontra-se normalizado”.

Mas, segundo trabalhadores, é possível que haja uma política de preservação de estoque de combustíveis, uma vez que o contingente mínimo de mão de obra vem sendo cumprido no terminal da Alemoa.

Roque relembra que, a última greve, que perdurou mais de um mês, trouxe consequências para o setor portuário. Segundo ele, alguns navios com saída direta para Europe e Ásia permaneceram aguardando abastecimento, ocupando o berço e pagando pela inoperância das operações, além dos prejuízos causados aos armadores.
 
“Esse quadro é muito preocupante e insustentável na medida que a greve se estende, já que poderá causar impactos negativos na produção de petróleo, gás natural e seus derivados, o que acabará afetando até o abastecimento interno, como ocorreu da última vez”, destacou Roque.

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