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Domingo

15 de Dezembro de 2019

Alpha Crucis iniciará expedição nesta segunda-feira

Navio oceanográfico partiria em missão na sexta-feira (14), mas os planos precisaram ser alterados devido à necessidade de ajustes no motor

O navio oceanográfico Alpha Crucis, do Instituto Oceanográfico (IO), da Universidade de São Paulo (USP), deixará o Porto de Santos com uma equipe de 19 pesquisadores na manhã de segunda-feira (17). O grupo estudará os impactos da poluição global e das mudanças climáticas no Oceano Atlântico Sul. 

A expedição partiria em missão nesta sexta-feira (14), mas os planos precisaram ser alterados devido à necessidade de ajustes no motor. O retorno será dia 28. 

A diretora do IO, a professora de Oceanografia Química Elisabete de Santis Braga da Graça Saraiva, conta que, depois da embarcação ser abastecida, na última quarta-feira, notaram que o “motor estava fora do ponto. Como vamos para longe da costa, foi uma medida prudente”. 

Questão solucionada, o grupo formado por professores, estudantes e técnicos brasileiros e estrangeiros se deslocará até um ponto do oceano entre o Brasil, Argentina e Uruguai. “Saímos da margem do continente e vamos para o alto mar”. 

Os pesquisadores vão avaliar as correntes e temperatura, farão telemetria e imagens de satélite e, também, vão usar equipamentos de fundeio – que são lançados ao mar e recolhidos um ano depois para estudos mais detalhados. Eles vão acompanhar a variação da corrente meridional de circulação da água para entender os danos do efeito estufa no mar. 

Elisabete destaca a importância do oceano no controle da poluição. “É um grande radiador para a distribuição do calor da Terra”. No entanto, devido ao grande volume de gases, ele está sobrecarregado. “Esses gases envelopam a Terra e fazem troca com a água. As águas superficiais se aquecem e as correntes mudam seu percurso, o que causa reflexos como mais ressacas, erosão, aumento do nível do mar”, explicou. 

Impactos na Baixada Santista

 

A professora explica que as análises são fundamentais para compreender as mudanças climáticas que atingem, principalmente, as populações que vivem em áreas costeiras, onde está grande parte do território da Baixada Santista. 

“(Essa pesquisa) nos permite analisar os efeitos do aquecimento global sobre a economia azul (atividades que envolvem o uso sustentável dos oceanos e seus recursos), os impactos na área costeira e na região portuária, como a presença de ventos extremos, ressacas e aumento do nível do mar”. 

Expedição Sambar 

A professora explica que essa será a segunda expedição da missão Sambar, que faz parte do projeto South Atlantic Meridional (Samoc), iniciado em 2011 para observar mais de perto o Atlântico Sul. A expedição é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e conta com o apoio da Marinha do Brasil, da Capitania dos Portos de São Paulo e da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). 

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