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Domingo

16 de Junho de 2019

Maduro diz que não permitirá 'show' de ajuda humanitária

Opositor Juan Guaidó não descarta autorizar intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, assegurou, nesta sexta-feira (8), que não vai permitir o “show” da ajuda humanitária, ao se referir ao carregamento que chegou na fronteira com a Colômbia a pedido do opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por cerca de 40 países.

“A Venezuela não vai permitir o show da ajuda humanitária falsa, porque não somos mendigos de ninguém”, declarou Maduro em coletiva de imprensa.

Segundo Maduro, a “emergência humanitária é fabricada por Washington”, que tem a intenção de “intervir” na Venezuela. “Se as tropas americanas estão na Colômbia, que fiquem lá”, advertiu, garantindo que nunca entrarão no país.

Uma dezena de veículos carregados com medicamentos e alimentos chegou na quinta-feira (7) na cidade de Cúcuta, na fronteira colombiana, onde foi instalado um centro de estocagem próximo à ponte internacional de Tienditas, bloqueada pelos militares venezuelanos com dois caminhões e uma cisterna.

O país produtor de petróleo, mergulhado na pior crise de sua história moderna, sofre com uma severa escassez de produtos básicos e uma hiperinflação que o FMI estima em 10.000.000% neste ano. Cerca de 2,3 milhões de venezuelanos emigraram desde 2015, segundo a ONU.

Maduro alega que não há crise humanitária e culpa o alto custo das sanções impostas pelos Estados Unidos, que congelou contas e ativos para o governo, e embargou a compra de petróleo venezuelano a partir de 28 de abril.

“Liberem o dinheiro que nos bloquearam e sequestraram. É um jogo macabro: os apertamos pelo pescoço e os fazemos pedir migalhas”, disse. 

A subsecretária de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Kimberly Breier, disse a jornalistas que os Estados Unidos descartam o uso da força para fazer chegar a ajuda humanitária à Venezuela. “Estamos arrumando maneiras de entrar e depende do lado venezuelano. Não vamos entrar à força: isso é um movimento civil, de ajuda humanitária”, ressaltou.

Entretanto, o líder opositor Juan Guaidó não descartou autorizar uma intervenção militar dos Estados Unidos ou uma força estrangeira na Venezuela, se for necessário, para que Maduro deixe o poder. “Nós faremos tudo o que for possível”, completou.

O dilema dos militares

Juan Guiadó convocou duas mobilizações, uma na terça-feira (12) e outra a ser definida, para pressionar os militares a não bloquearem a ajuda. “Eles estão em um dilema: ou eles ficam do lado das pessoas necessitadas ou da ditadura”, reiterou.

O líder da oposição, de 35 anos, anunciou que, nos próximos dias, mais carregamentos com ajuda chegarão, e que outros centros de coleta serão instalados no Brasil e em uma ilha caribenha a ser definida.

A atitude dos militares neste caso permitirá a Guaidó medir a unidade de comando das Forças Armadas, principal suporte de Maduro, segundo analistas.