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Terça-feira

11 de Dezembro de 2018

Boa relação com os estudos começa em casa, dizem especialistas

Educação foi o tema do fórum A Região em Pauta, iniciativa de A Tribuna

Uma relação positiva com os estudos começa em casa, com o desenvolvimento de habilidades que serão aplicadas depois, na hora da aprendizagem. A primeira delas é o senso de responsabilidade: dividir com os filhos tarefas domésticas, como guardar os próprios brinquedos e tirar o prato da mesa. Esse é um dos ensinamentos de Roberta Bento, fundadora do site SOS Educação (www.meufilhonaoestuda.com.br). 

Roberta, que tem paralisia cerebral e se dedica à inclusão há mais de três décadas, esteve na terça-feira (4) no fórum A Região em Pauta, iniciativa de A Tribuna que teve a Educação como tema. Graduada em Letras, ela tem especialização em Aprendizagem Baseada no Funcionamento do Cérebro, nos Estados Unidos. No evento, contou sua história de superação e falou em inclusão no primeiro painel.

Na visão dela, a criança, com ou sem deficiência, deve ser sempre estimulada. “A criança precisa ter capacidade de foco e concentração. Os pais devem brincar de quebra-cabeça, dominó, baralho, jogos concretos. Passeios no parque sem levar brinquedos eletrônicos”, explica. Outro elemento fundamental é atividade física e horas de sono, as crianças estão dormindo pouco”, diz Roberta.

Superdotados

Psicopedagoga e especialista em Educação Especial e Inclusiva, Rosilma Roldan também fez parte do painel. Ela classifica de “nenhuma” a forma como os superdotados são acompanhados e incluídos hoje nos sistemas de ensino.

“Não há dados, não se sabe quantos são, se está se fazendo alguma coisa. Não há nenhum curso no País que se prepare para o diagnóstico. Sem isso, não há estatística”, afirma.

Para ela, há excesso de medicação para crianças. “Pior, os superdotados são confundidos com os hiperativos, que têm dificuldades de concentração e aprendizagem. O superdotado é agitado porque aprende rápido e quer sempre um desafio novo. Então, medicalizam o superdotado, para acalmá-lo, como se ele fosse hiperativo”, compara.

Rede municipal

A chefe da Seção de Educação Especial da Secretaria de Educação (Seduc) de Santos, Celia Maria Plaza Pinto Gouveia, detalhou as ações de inclusão dos estudantes com deficiência na Cidade.

“Temos atendimento domiciliar educacional para crianças impedidas de ir para a escola. Nas 81 escolas existem professores de atendimento especializado, intérpretes de Libras (língua brasileira de sinais), formações mensais para professores”, descreve.

Para Celia, verifica-se que os profissionais da área estão mais bem qualificados. Porém, o resultado positivo nos alunos vem em longo prazo. “Levamos para eles mais orientação e apoio”.

Na rede escolar

Não basta ter bons equipamentos. É necessária uma rede estruturada para permitir avanços no ensino, acredita a psicóloga e psicopedagoga Camila Fattori. Ela coordena a Comunidade Educativa Cedac, que tem como objetivo apoiar os profissionais da educação no desenvolvimento de práticas que resultem em educação de qualidade.

Ela participou do segundo painel do A Região em Pauta, cujo tema foi Tecnologia na Educação. “Precisamos de planejamento, manutenção adequada e formação dos profissionais. Muitas vezes, uma escola tem um equipamento e ele não está sendo usado porque está quebrado, a internet caiu”.

Para Camila, as escolas estão se esforçando para garantir os direitos de aprendizagem. “Conseguimos a universalização, quase 100% das crianças dentro da escola, temos evolução nos resultados, mas ainda está aquém do que a gente precisa”, diz.

A vereadora Audrey Kleys (PP), presidente da Comissão de Educação da Câmara de Santos, acha importante trazer à tona a legislação do setor. “Pessoas me perguntam se a utilização do celular em sala de aula é proibida. Não é. Então, quanto mais nós dermos informações às pessoas, mais condições elas terão de trabalhar tecnologia em sala de aula, seja com computador, tablet ou celular”.

A vereadora lembra que a adequação é obrigatória e necessária no setor. “A Base Nacional Comum Curricular precisa ser implantada e as cidades precisam se preparar. Vem para reforçar tudo que já foi dito e ir além. Os documentos precisam ser muito bem lidos e seguidos, principalmente pelos gestores públicos”, diz.

Praia Grande

Rafael Turlão, diretor do Departamento de Programas de Inclusão Digital da Prefeitura de Praia Grande, detalhou como a introdução da tecnologia melhorou o desempenho dos alunos nas escolas municipais da Cidade.

Turlão citou a implantação de lousas digitais interativas em todas as salas, espaços para computadores e tablets. “Enxergamos os resultados na prática e na nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que melhorou. Alunos que não queriam ir para a escola agora fazem questão de participar”.

A rede municipal mudou a forma de estudar de Matheus Oliveira da Silva, agora no Ensino Médio. “Queria, cada vez mais, ir para a escola para ter acesso à tecnologia”.