Na TV Globo, Drauzio critica Bolsonaro por 100 mil mortes: 'Negou o perigo'

Médico sustenta que as ações do governo federal foram tímidas para conter escalada de casos no Brasil, que superou a cifra 3 milhões de infectados por Covid-19

O médico Drauzio Varella criticou as ações do governo federal na condução da pandemia de Covid-19, um dia depois do Brasil superar marca de 100 mil mortos e 3 milhões de infectados, neste final de semana. A mensagem do especialista em Saúde foi exibida no dominical “Fantástico”, horas após de o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), atribuir à emissora carioca o papel de espalhar “pânico na população e a discórdia entre os Poderes”, segundo o chefe do Executivo. 

Para Drauzio, o país teve a oportunidade de observar como as outras nações atuaram para conter a escalada da doença. “Tivemos mais de um mês para nos organizar para chegada do vírus. Pela experiência nos outros países, soubemos que era fundamental adotar o isolamento social, usar máscara e testar a população. Nesta hora (que chegou ao Brasil), não tivemos testes nem ação coordenada do governo, porque nossa autoridade máxima negou o perigo que corríamos, provocou aglomerações e fez questão de andar por aí sem máscara”.

O especialista afirmou que a pandemia no Brasil é desastrosa, apesar de tecer elogios ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Perdemos o controle da epidemia. Os mais pobres, negros, que vivem em lugares de difícil acesso e os que moram em comunidades com estrutura precária formaram a maioria das 100 mil mortes. O SUS tem sido heroico, mas tem que ser preparado para atender a demanda dos locais em que a epidemia se alastra”. 

Apesar do tom de lamento, Drauzio sustentou que “ainda há tempo ainda para diminuir as dimensões” da tragédia, “desde que o governo federal e demais autoridades se empenhem em testar e conscientizar a população de que andar por aí sem máscara e distanciamento é fazer a epidemia durar muitos meses e prolongar o sofrimento das famílias mais pobres”. 

As declarações do especialista ocorreram horas após Bolsonaro criticar a cobertura do Jornal Nacional, da noite anterior, no dia em que o Brasil passou da marca de 100 mil mortes por coronavírus. “Festejou como final da Copa”, postou o presidente, nas redes sociais. 

Para o telejornal global, Bolsonaro é culpado por partes dos óbitos, e resgatou algumas declarações polêmicas, como o "e daí?" e "não sou coveiro". No Twitter, o presidente lamentou a quantidade de mortes, porém voltou a criticar o isolamento social. Sem citar nomes, o presidente afirmou que uma rede de televisão "só espalhou o pânico na população e a discórdia entre os Poderes". 

"O tempo e a ciência nos mostrarão que o uso político da Covid por essa TV trouxe-nos mortes que poderiam ter sido evitadas." Por fim, o chefe do Executivo afirmou que a Globo "festejou" a marca de 100 mil mortes — de forma "covarde e desrespeitosa" — como uma final de Copa do Mundo e disse que a emissora está com saudades dos governantes que a colocava "como prioridade ao fazer o Orçamento da União, mesmo sugando recursos da saúde e educação". 

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