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Segunda-feira

3 de Agosto de 2020

Ministério da Saúde anuncia parceria com Oxford para vacina contra Covid-19

Acordo com universidade inglesa prevê troca tecnológica e produção nacional de medicamente. Primeiro lote com 15,2 milhões de doses deve ser fabricado no País até dezembro deste ano

O Ministério da Saúde anunciou, na manhã deste sábado (27), um acordo internacional para produzir no Brasil a vacina contra a Covid-19, que está sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. Considerado o mais promissor medicamento de combate ao novo coronavírus, a parceria prevê a fabricação de até 100 milhões de dose no País. O primeiro lote nacional deve ser finalizado ainda neste ano, antes mesmo de o produto ter a produção em larga escala aprovado. 

O anúncio foi feito pelo coronel do Exército Antônio Élcio Franco Filho, recém nomeado secretário-executivo do Ministério da Saúde, em entrevista coletiva, pela manhã, em Brasília. O acordo ocorrerá em duas etapas. Na primeira, haverá uma encomenda em que o Brasil assume também os riscos da pesquisa. "Ou seja, será paga pela tecnologia mesmo não tendo os resultados dos ensaios clínicos finais", resume o representante da pasta.

E, em uma segunda fase, caso a vacina se mostre eficaz e segura, será ampliada a compra. Conforme o acordo de transferência de tecnologia, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai capitanear a troca de tecnologia com a universidade inglesa e a empresa de biofarmacêutica  AstraZeneca, que desenvolvem a droga tida comoo imunizante mais promissor ainda em teste. 

Franco Filho explica que a fase inicial do acordo prevê a produção em dois lotes do medicamento, que somam 30,4 milhões de doses. Metade desse volume de estaria  pronta até dezembro, já parcela final, em janeiro de 2021. Essa fase tem custo de 127 milhões de dólares (cerca de R$ 695 milhões, na cotação de sábado). Essa  etapa prevê apenas o envazamento e distribuição das doses no País (o príncipio ativo do imunizante seria importada da Inglaterra).

“A encomenda tecnológica para a produção dessas doses se faz necessária para reduzir o risco na saúde pública à população e garantir a retomada da economia”, diz o secretário-executivo. Segundo ele, o acordo prevê troca de tecnologia, sendo possível a produção pelo parque tecnológico nacional. A unidade da Fiocruz no bairro de Manguinhos, no Rio de Janeiro, ficará responsável pela fabricação local. 

Com os resultados favoráveis da medicação, esperado para até novembro, Bio-Manguinhos produziria mais 70 milhões de dose, ao custo unitário de 2,30 dólares  (R$ 12,60). Nesta etapa, todas a tecnologia de produção será feito no País, como a fabricação do compontente ativo, processamento e distribução da medicação.

OMS  

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira (26) que a vacina ChAdOx1 nCoV-19, produzida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca, é a "mais avançada" do mundo “em termos de desenvolvimento”. 

As declarações foram feitas pela cientista-chefe da entidade, Soumya  Swaminathan. Segundo ela, mais de 200 vacinas candidatas contra o coronavírus  são testadas ao redor do mundo, das quais 15 já entraram fases clínicas. A OMS afirmou, ainda, que está em contato com diversas fabricantes chinesas para acompanhar o desenvolvimento de seus trabalhos. 

Segundo a entidade, sediada em Genebra, serão necessários US$ 31,3 bilhões (cerca de R$ 171 bilhões) para desenvolver testes, vacinas e tratamentos para a Covid-19. O secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia de Medeiro, explica que parte do valor destinado  no acordo de  troca de tecnologia entre o Brasil e Inglaterra será aplicado na melhora da planta de produção de medicamentos no instituto Bio-Manguinhos.

Orçamento previsto para a área de Saúde neste ano era de R$ 140 bilhões, em 2020. Outros R$ 40 bilhões foram destinados pelo Congresso Nacional por meio de créditos extraordinários para o combate à pandemia.  

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