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Segunda-feira

20 de Maio de 2019

Insetos podem ser mais letais que cobras e tubarões

Dado foi divulgado pelo levantamento da Fundação Bill e Melinda Gates. Enquanto as serpentes provocam 125 mil mortes anuais, os mosquitos são responsáveis por mais de 725 mil óbitos no mundo, a cada ano

Não há quem suporte o zumbido nos ouvidos provocado pelos mosquitos, geralmente na hora de dormir. E a mera visão de uma barata zanzando pelo canto da parede é suficiente para deixar muita gente em pânico. Isso sem falar na trilha de formigas que se forma sobre a mesa se um pouco de doce é derramado. 

Mais do que incomodar, esses pequenos seres podem ser nocivos à saúde. A lista de doenças provocadas por insetos nada inofensivos é imensa: vai desde dengue a alergias e problemas respiratórios.

De acordo com um levantamento da Fundação Bill e Melinda Gates (co-fundadores do império de desenvolvimento de softwares de computador, a Microsoft), os insetos são 180 vezes mais letais que cobras e tubarões. Enquanto as serpentes provocam 125 mil mortes anuais, os mosquitos são responsáveis por mais de 725 mil óbitos no mundo, a cada ano. 

O biólogo entomologista (cientista que estuda os insetos) Paulo Aníbal Mesquita explica que o motivo é simples: os seres invertebrados se reproduzem com mais velocidade e estão inseridos nos centros urbanos. 

Locais insalubres

Ele alerta que, apesar de parecerem inofensivos, os insetos carregam vírus e bactérias. Por isso, podem ser transmissores de doenças graves. “Baratas, mosquitos, moscas passam por vários locais, que incluem lixo e áreas insalubres: são principais agentes de contaminação”.

Mesquita afirma que os insetos precisam de três condições para sobreviver: alimentos em abundância, água e abrigo – que torna casas e apartamentos locais ideais para abrigá-los. Para evitar esse mal , é bom manter o ambiente protegido e limpo.

Como evitar?

A prevenção é a maneira eficaz de evitar a proliferação dos insetos. Assim, deve-se evitar água acumulada em vasos, pneus, garrafas plásticas e até recipientes pequenos como tampas, que podem se tornar um criadouro, alerta o médico infectologista Marcos Caseiro. 

Manter os quintais limpos e não jogar lixo a céu aberto também são outras ações aconselhadas. Segundo especialistas, a principal medida no combate a essas pragas é em relação ao lixo. Moscas, formigas, baratas e roedores buscam nos resíduos domiciliares fontes de alimentação. 

No interior das residências, Mesquita aconselha utilizar lixeiras bem fechadas e, de preferência, sempre as manter secas. O ideal é limpar o recipiente após a retirada dos materiais ali depositados. Já nas áreas externas, ele orienta utilizar latas altas e também fechadas, o que dificultaria o acesso de pequenos roedores e insetos. 

Na cozinha – um dos mais comuns pontos de proliferação de pragas – o cuidado maior é com a pia. Em residências cujos moradores têm por hábito secá-la após sua utilização, as chances de infestação de insetos diminui. “Deve-se evitar que alimentos fiquem expostos. Após utilizar, eles devem ser guardados na geladeira ou descartados”, diz o entomologista.

Água fervente

O biólogo Yuri dos Santos aconselha jogar água fervente na pia para matar as bactérias, após lavar a louça. E, claro, secá-la depois. Outro cuidado é com restos de alimentos que se acumulam no ralo. Por ser a conexão com o esgoto e o interior das residências, essa pode ser a porta de entrada para as pragas. 

Santos alerta para manter portas e janela fechadas nos períodos do nascer e do pôr do sol. Mas se os insetos forem abundantes, telas de proteção com buracos de, no máximo, 1,5 milímetro devem ser instaladas nas janelas. “Proliferação e pragas ocorrem, de modo geral, em ambientes degradados, em áreas desmatadas e cidades sem infraestrutura e destino adequado de resíduos sólidos”, diz.

Contudo, essas medidas podem não evitar que insetos invadam as residências. Nesses casos, os especialistas orientam a contratação de um profissional para fazer o controle de pragas, a cada seis meses. “Como são utilizados produtos químicos e tóxicos, o ideal é que o tratamento seja feito por uma equipe qualificada”, diz Mesquita.

História

As doenças transmissíveis por insetos foram responsáveis por numerosas epidemias devastadoras ao longo da história. A mais famosa pandemia da humanidade foi transmitida por meio de pulgas de ratos. Batizada de peste negra, estima-se que 200 milhões de pessoas tenham morrido na Europa e Ásia no século 14. A doença fez cair pela metade a população dessas localidades. Patologias como malária, 
febre amarela e dengue ainda são problemas de saúde pública. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) citam que doenças transmitidas por pragas são por uma em cada 17 mortes no mundo. 

Formigas contaminam com fungos

Embora pareçam inofensivas, as formigas podem provocar danos maiores do que ao invadir um pote de açúcar. Estudos comprovam que esses insetos se contaminam com fungos e os distribuem por onde passam, tornado-se, assim, mais danosos à saúde que as temíveis baratas. 

O entomologista Paulo Aníbal Mesquita diz que a rota das formigas em busca de alimentos inclui trajetos por lixeira, esgoto e animais mortos. Ao passarem por esses lugares, elas carregam nas patas micro-organismos nocivos, como bactérias, fungos e vírus. “As formigas são grandes transmissoras de infecção hospitalar e até mesmo responsáveis pelo desenvolvimento das chamadas superbactérias nesses locais”, resume.

Problemas respiratórios

Mesquita diz que os fungos carregados pelas formigas podem causar alergias respiratórias e micoses na pele. Também podem atuar como vetores de bactérias, que transmitem uma série de infecções. 
Ele afirma que, consumir alimentos que tiveram contato com esse inseto é arriscado, podendo desencadear intoxicações alimentares, vômito e diarreia.

Segundo o entomologista, a proliferação das formigas ocorre quando há disponibilidade de alimentos e abrigo. Portanto, é preciso manter a higiene e a organização, evitando deixar lixo aberto e restos pela casa. Outra ação é checar e vedar frestas em pisos e azulejos.