Covid-19: Integração de especialidades é essencial na reabilitação de pacientes

Tratamento multiprofissional respeita fases da doença e é focado na melhora segura e gradativa

Enquanto laboratório farmacêuticos buscam autorização para o uso emergencial de um imunizante contra a Covid-19, os esforços dos profissionais de saúde continuam como o diferencial para a recuperação de pacientes com sintomas respiratórios. E para amenizar as sequelas mesmo após a alta médica, ações multidisciplinares têm contribuído à melhora gradual dos que venceram a batalha com o vírus. 

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Nos primeiros dias de internação de casos mais graves da doença, muitos pacientes sentem fraqueza, alguns não conseguem andar, falar e comer. Nessas situações, uma das especialidades que entra em ação é a fisioterapia. “Em alguns casos chegamos a fazer duas intervenções diárias para estimular os trabalhos funcionais, fazendo com que o paciente consiga aos poucos ficar em pé e, na sequência, volte a andar”, explica a fisioterapeuta do Hospital Marcelino Champagnat, Flávia Makoski Ciescilivski.  

O gerente de operações portuárias, Leonardo Potin da Rós, não lembra da sua transferência do hospital que foi internado devido a complicações da Covid-19. Batalha que venceu depois de 43 dias internado, parte deles em coma induzido.  

"Acordei com os braços amarrados, devido aos procedimentos, com sonda, traqueostomia e totalmente desorientado. Os impactos da doença são muito fortes e me deparei com situações muito difíceis como a necessidade de colocar o dedo no tubo de traqueostomia para poder falar e a falta de força física para tomar banho sozinho. Os vídeos que me mostravam da minha família e que eu gravava me deram ânimo para seguir”, relembra. 

O longo período com traqueostomia que os pacientes graves de Covid-19 precisam passar é um dos principais desafios das equipes. Alguns pacientes não conseguem se alimentar no início. Com as intervenções de fonoaudiologia, recebem apoio e estímulo para voltar a falar e comer.  

“Nosso trabalho é fazer com que esses pacientes recuperem essas habilidades o quanto antes. Na maioria das vezes, no momento da alta hospitalar eles já saem com as principais funções restabelecidas", explica a fonoaudióloga Franciele Sória. 

A doença que provoca uma mistura de sentimentos e incertezas também é traumática. Por isso, a integração e incentivo das equipes multidisciplinares fazem toda a diferença na recuperação.  

E o estímulo aos internados vai muito além da rotina antes da pandemia: com o início do isolamento social, uma das recomendações repassadas aos hospitais foi a restrição de visitas, o que segue até o momento.  

Uma das técnicas motivacionais com resultados surpreendentes tem sido o envio de mensagens motivacionais junto com as refeições. “Tudo vai dar certo, nós estamos aqui por você: pense positivo. Você é mais forte do que imagina!” foram algumas das frases de incentivo, carinho e acolhimento. 

Além disso, também foram feitas adaptações no cardápio dos pacientes, sempre respeitando as prescrições médicas e as preferências pessoais. “Implantamos o sal de ervas para melhorar o sabor e aceitação dos alimentos e também para reduzir o consumo de sódio. Sugerimos temperar as saladas com frutas cítricas, como limão, para estimular o paladar”, comenta a nutricionista do hospital, Patrícia Conter Lara Prehs. 

Isso porque, mesmo após a alta, a indisposição e a falta de apetite permanecem em muitos casos. A perda de olfato e paladar são sintomas característicos da doença e muitas pessoas apresentam demora e até distorção desses sentidos.  

“Recomendamos sempre a continuidade da alimentação equilibrada, em pequenas porções e com frequência maior, respeitando as preferências individuais. O consumo de água é fundamental para restabelecer a saúde e a hidratação. Deve ser evitado o consumo de alimentos processados, como enlatados e também ultra processados, como embutidos e salgadinhos. Descasque mais e desembale menos, é uma dica valiosa”, reforça. 

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