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Quarta-feira

18 de Setembro de 2019

Bursite exige diagnóstico com precisão

Muitas vezes confundida com artrite, doença que provoca dores e inchaço deve ser detectada logo para garantir o melhor tratamento

Um incômodo no meio do expediente fazia parte da rotina da secretária Maria Fernanda Santana, de 45 anos. Todos os dias, após algumas horas de trabalho, ela, que mora no Boqueirão, em Praia Grande, mal conseguia mexer o braço direito por conta de uma dor intensa. Foram meses até o diagnóstico: bursite.

A doença pode aparecer nos ombros, quadril, joelhos, pés e cotovelos. É mais comum em pessoas que trabalham fazendo muitas vezes o mesmo movimento ou praticam atividade física repetitiva. Outro fator é o envelhecimento.

Segundo o ortopedista Sérgio Caetano, a bursa é uma almofada achatada composta por uma membrana com um líquido sinovial, que é lubrificante e de aspecto viscoso.

“Quanto mais cedo a pessoa diagnosticar o problema, menos sofrido será o tratamento. O quadro vai se agravando com o tempo caso a origem da bursite não seja identificada”.

Ele diz que os primeiros sintomas são dor na articulação e inchaço. Isso porque o processo inflamatório nesses tecidos moles logo é percebido.

“É fundamental procurar uma unidade de saúde para aliviar a dor. No entanto, o paciente precisa ir até um especialista, que fará exames específicos para diagnosticar corretamente a doença”, explica Caetano.

Confusão

Segundo ele, a bursite é muito confundida com a artrite, por exemplo, que é uma inflamação em uma ou mais articulações.

O ortopedista especialista em Esportes Rubens Figueiredo conta que atletas são as principais vítimas desse problema. Entre eles, o número é maior em tenistas e nadadores. Por outro lado, pessoas que fazem os mesmos movimentos repetidamente costumam desenvolver a bursite.

“Quem trabalha muito sentado em lugar desconfortável, em frente ao computador ou em atividades como a de pintor, tende a apresentar os sintomas muito mais rápido”, explica Figueiredo. De acordo com ele, essa condição é normalmente temporária, mas caso não tenha o cuidado necessário, pode tornar-se algo crônico.

Causas

O também ortopedista Ricardo Macedo explica que a bursite costuma aparecer depois de micro-traumas repetitivos, mas pode ainda estar associada a condições reumáticas ou infecciosas.

“A melhor maneira de aliviar os sintomas é dar um tempo no que tem causado a bursite. Pelo menos por um período. Remédios também podem aliviar dores. Depois, é necessário começar uma fisioterapia pensando no cuidado a longo prazo”.

Cuidados simples no dia a dia ajudam a prevenir crises

Alguns cuidados básicos ajudam a prevenir a bursite. Aquecimento e alongamento antes de exercícios físicos, postura adequada no dia a dia e evitar movimentos repetitivos são técnicas simples e que fazem toda a diferença.

“É muito importante investir na prevenção. Esse é o principal ponto com quase todas as doenças. O problema é que as pessoas não têm determinados cuidados no dia a dia, e isso faz com que elas sofrem com dores a longo prazo”, esclarece o ortopedista Sérgio Caetano.

A melhor maneira de aliviar a dor é usar analgésicos. Mas, ao procurar um especialista, ele provavelmente buscará a causa da dor e dará um tempo para o paciente relaxar. Além disso, indicará fisioterapia.

“A reabilitação física serve para tirar a dor, mas também é fundamental para cuidar da recuperação dos movimentos e ainda evitar que novas crises aconteçam”, explica Caetano.

Já o ortopedista Ricardo Macedo diz que, quando o paciente descobre que tem o problema, normalmente é em uma forte crise de dor. 

“Uma vez controlado o ataque agudo, é necessário começar o trabalho de prevenção e correção dos fatores que causaram essa situação. Dessa forma, o paciente estará cuidando da sua saúde para o futuro”.