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Sábado

18 de Janeiro de 2020

Revolução on-line: os 50 anos da internet

A internet completa 50 anos, conecta mais da metade da população mundial e dita como as cidades vão se estruturar num futuro breve

Veículos autônomos, drones operando sozinhos, cidades projetadas sob conceitos de inteligência artificial, realidade aumentada e big data: o céu é o limite para o futuro da web. Recém-completado meio século de seu desenvolvimento para fins militares, a internet provocou uma revolução na forma como as pessoas se relacionam, fazem compras e consomem conteúdo.

Para os próximos anos, a conexão à rede se tornará tão essencial como a eletricidade foi para o salto da humanidade no século passado. E deve tornar tudo conectado. O diretor de Tecnologia Meta Sistemas e professor da Fatec, Cláudio Nunes, acredita que conexões velozes e processamento em nuvens serão responsáveis pela terceira onda da web: após as organizações (primeira) e pessoas (segunda), será a vez dos dispositivos.

A aposta é que a internet norteará como os municípios serão organizados, adotando conceitos de smart cities (cidades inteligentes). O modelo utiliza a tecnologia para promover bem-estar, crescimento econômico e sustentabilidade. 

O modelo ainda dá seus primeiros passos por aqui. A aplicação mais próxima da realidade brasileira é o uso para soluções na mobilidade urbana. São Paulo e Rio de Janeiro já aplicam inteligência artificial para o controle viário. Dados capturados por câmeras e sensores no asfalto podem estabelecer ciclos semafóricos de forma a promover maior fluidez do trânsito. 

Em metrópoles da China, do Japão e da Coreia do Sul, o gerenciamento do trânsito por ferramentas de inteligência artificial é uma realidade. O próximo passo seria a automação dos veículos, avalia o coordenador de Customer Experience da Magna Sistemas, Davi Silvestre Moreira dos Reis.

“Os carros fariam parte da rede e trocariam informações entre si para auxiliar o trânsito, de forma automática”, diz o também professor da Fatec. Assim, acidentes de trânsito seriam coisa do passado.

Nunes avalia que as inovações devem se ampliar nos próximos anos. A chegada do 5G é considerada um novo divisor no mundo digital, cada vez mais conectado. A tecnologia, que ampliará em até 100 vezes a velocidade da atual rede móvel (4G), possibilitará que veículos autônomos circulem nas vias. Montadoras avaliam que modelos comerciais devem ser lançados em até dez anos. 

Reis cita a redução da burocracia, e o barateamento na análise de dados tornará possível a autenticação de documentos de forma remota, via blockchains (tecnologia de registro de transações). “Reduzirá fraudes e aumentará a segurança”.

Há mais máquinas do que gente navegando

Em 2017, uma barreira foi ultrapassada na web: o número de dispositivos de Internet das Coisas (Internet of Things, ou IoT) superou a quantidade de pessoas no planeta. As máquinas on-line já chegam a 12 bilhões de exemplares, dando a proporção de 1,6 dispositivo por habitante no mundo. De SmartTVs a câmeras, aparelhos ligados à internet podem ser facilmente encontrados nos lares. 

Essas conexões no Brasil vão de máquinas de cartão a rastreadores de veículos. Recentemente, têm prometido contribuir na mobilidade urbana, a partir de patinetes elétricos e bicicletas para locação. Já há mais máquinas conectadas do que celulares.

A consultoria empresarial McKinsey estima que, a cada segundo, 127 dispositivos estão conectados à internet. Até 2025, avalia-se que mais de 75 bilhões de dispositivos IoT estejam conectados – concentrados na China, na América do Norte e na Europa, com 67% da base. De eletroportáteis a dispositivos no corpo (como relógios), tudo estará ligado na rede, trocando dados e informações para tornar a vida mais confortável.

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