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Segunda-feira

3 de Agosto de 2020

Bispos e pastores da Igreja Universal em Angola se desassociam da direção brasileira

Líderes religiosos da igreja evangélica no país africano acusam os brasileiros de racismo, evasão de divisas, expatriação ilícita de capital, discriminação, abuso de autoridade, entre outros

Bispos e pastores da Igreja Universal do Reino de Deus em Angola, um dos mais de 95 países em que a igreja evangélica brasileira tem filiais, resolveram tomar o poder dos templos no local e se desassociar da direção brasileira.

A justificativa para o rompimento são diversas acusações contra a administração da igreja de Edir Macedo no Brasil. São elas: evasão de divisas, expatriação ilícita de capital, racismo, discriminação, abuso de autoridade, imposição da prática de vasectomia aos pastores, intromissão na vida conjugal dos religiosos e concessão de privilégios a bispos brasileiros, como bons salários e carros modernos.

O anúncio da ruptura foi feito por um grupo de bispos e pastores da Universal em Angola nesta segunda-feira (22). Eles informaram que assumiram 35 templos da instituição na capital Luanda e cerca de 50 em outras províncias, como Lunda-Norte, Huambo, Benguela, Malanje e Cafunfo. O país africano conta com 500 mil fiéis.

De acordo com o grupo rebelado, quem deterá o controle da instituição, agora, será o então vice-presidente da igreja, o bispo Valente Bezerra Luiz. Eles afirmam que a igreja no país passará a se chamar Igreja Universal de Angola.

O processo de desassociação entre a Universal em Angola e a direção brasileira teve início em 2019. Em novembro, foi elaborado um manifesto, com a assinatura de 320 bispos e pastores, e encaminhado ao principal líder da igreja no país, o bispo brasileiro Honorilton Gonçalves, ex-vice-presidente da TV Record. O grupo fala que não teve retorno.

No entanto, houve resistência por parte de alguns fiéis angolanos. Em alguns templos, religiosos chegaram a tomar as chaves dos estabelecimentos para que não houvesse o controle por parte dos líderes de Angola.

*Com informações da BBC Brasil

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