Ser e dever ser

A maravilha do viver é o entendimento de que fomos feitos para que o mundo nos encontre no meio do caminho

Por: Luiz Alca  -  07/02/21  -  14:05
Uma das horas mais abençoadas é quando ficamos maravilhados por ver o mundo como ele deveria ser
Uma das horas mais abençoadas é quando ficamos maravilhados por ver o mundo como ele deveria ser   Foto: Jill Wellington/Pixabay

Um dos mais belos teoremas da filosofia da moral é o duelo entre o Ser e o Dever Ser, que quando
coincidam, quer quando não. E é um prazer trazer aos meus possíveis leitores, esse fantástico embate, que muda muito a nossa forma de enxergar a vida e as nossas próprias ações. Por mais que alguns concretos possam considerar o tema um tanto acima do que a rotina e o cotidiano oferecem.


Clique e Assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços!


É preciso tentar enxergar as circunstâncias à frente como elas estão sendo, sem perder por isso, o sonho e o desejo do que deveriam ser, de acordo com as nossas ânsias e em paralelo ao que julgamos o mais belo, o perfeito.


Aqueles que buscam uni-los à força, de acordo com seus interesses ou julgamentos, geralmente são os grandes causadores do mal, porque isto é impossível, respeitando-se a liberdade e as buscas pessoais de cada um, sempre específicas.


Os que desconhecem o duelo ou insistem em ignora-lo, nada fazem e pecam por essa omissão que deixa tudo extático, massificado, sem qualquer chance de estimular ou criar motivação.


É entre o Ser e o Dever Ser que está a origem do significado, a marca pessoal que devemos dar às
nossas atuações e que é diferente do realizar. Este é produzir; àquele dar o toque pessoal ao que se
produziu. A maravilha do viver é o entendimento de que fomos feitos para que o mundo nos encontre no meio do caminho, já que somos incapazes de construir esse significado, sem ajuda, sozinhos, assim como de receber pronto.


Uma vida que já viesse significada e que não dependesse dos nossos atos derrotaria a si própria,
perderia todo o encanto, o fascínio do existir. Já pensaram nisso? Eis porque entre o adulto alienado que procura mais a razão do viver por decepção ou comodismo e aquela criança que tem no olhar essa procura, está a iluminada diferença entre a resignação e a esperança.


E uma das horas mais abençoadas é quando ficamos maravilhados por ver o mundo como ele deveria ser, por mais dura que seja a realidade à frente. Uma experiência tão linda que o "deveria", muitas vezes se dissolve, numa sutileza, que só se pode atribuir ao Creador em sua sabedoria.


Quem sabe, o milagre do bem, a dádiva, a benesse, ocorram, nos momentos em que esse "deveria" se torna o "ser" e o sonho vence a realidade. Mesmo por breves momentos.


Tudo sobre:
Logo A Tribuna