Propósitos de vida

Tentar diminuir o egoísmo, a vaidade, as considerações vãs, por mais difícil que isso seja; avaliar superficialidades e afastar o que nada acrescenta

Por: Luiz Alca  -  27/12/20  -  15:33
  Foto: Imagem ilustrativa/Unsplash

Quando disse numa aula sobre a Inteligência Espiritual que estava na hora de "ir me aprontando" para um outro plano de "aparar as arestas para não sair daqui como entrei", fui mal interpretado por uns poucos, que acharam a afirmação, pessimista e negativa. Posteriormente, quando soube disso, levei um susto e analisei essa visão.


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Aprontar-se, no que for possível pelo esforço e estiver ao alcance pela lucidez nada tem de pesado, amargo ou vitimizado, muito pelo contrário. Trata-se usar a clareza e a consciência, além do crédito no metafísico, para buscar o grande propósito da nossa vida, a partir de certa idade: a evolução e não mais apenas, a representação material e o engano dos apegos exagerados ao externo.


Tentar diminuir o egoísmo, a vaidade, as considerações vãs, por mais difícil que isso seja; avaliar superficialidades e afastar o que nada acrescenta. Aliviar a mente de lixo mental e não mais sobrecarregar o pensamento com desimportâncias e valores que já não acrescentam. Como nos mostrou magnificamente o psiquiatra austríaco judeu, Viktor Frankl que sofreu toda a humilhação de um campo de concentração, a tentativa de encontrar um sentido para a vida, através da busca de um significado para existir e enfrentar as dificuldades maiores, aquele valer a pena que está um passo além das questões mundanas. O que chamou de Logoterapia (logos: luz; terapia: cura), um caminho respeitável em momentos de conflito e confusão sobre nosso destino.


Grande auxílio é a Inteligência Espiritual, hoje oficializada tanto quanto a racional e a emocional. Trata-se da capacidade que cada pessoa tem de conseguir as respostas aos seus apelos internos de origem, forma e movimento, de como estamos indo em relação ao nosso sentido e o que é, verdadeiramente, a missão no processo do viver.


O entendimento que nossos julgamentos e critérios são afetados por motivações subliminares em contraponto ao vazio dos dias atuais quando tanto das certezas contidas na realidade caíram por terra. Para captar as mudanças e transformações, não basta o raciocínio e a lógica em precisão; nem sempre é suficiente a competência para lidar com as emoções e seus inúmeros conflitos.


Em sua palestra no encontro Fronteiras do Pensamento, quarta passada, em São Paulo, o português Antonio Damásio considerado uma das maiores autoridades mundiais vivas em termos de neurociência, abordou a importância de estarmos atentos à luz da individuação, a energia que nos mantém vivos além da força biológica. Senão, tudo é aturdimento. 


Está tão difícil viver, não? Cada vez mais e digo isso sem pessimismo, mas na constatação dos leões que temos de topar todos os dias, dos enfrentamentos complicados. Eis por que precisamos muito dos reais propósitos de vida, de ter noção, pelo menos, do que queremos para nós. 


Não nascemos para a insipidez, tenho certeza disso, do contrário não se faria o próprio milagre de existir.


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