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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Elos mais fortes, para a vida após pandemia

União de esforços e olhar para dentro são chave

“Ninguém solta a mão de ninguém”. A frase, muito usada para reforçar a união de pessoas em torno de uma mesma causa, também poderia ser usada na relação entre as diferentes figuras de uma cadeia produtiva. Pois, no cenário atual, a preocupação com o outro ganha tons de necessidade, em torno da própria sobrevivência.

Na visão de Reynaldo Gama, que é CEO da HSM, instituição focada na capacitação e desenvolvimento profissional de executivos, a cadeia produtiva é formada por elos que devem ser igualmente fortes. “Todos nós fazemos parte de elos, e estes estavam muito frágeis. Essa consciência mais forte foi provocada, gerada nesse momento de pandemia. Temos visto o que seria como um efeito avalanche”. 

Ele traz um exemplo para ilustrar seu pensamento. “Quando um restaurante fecha, ele impacta o fornecedor de comida, o funcionário da limpeza, o cozinheiro, a empresa do serviço de vallet de estacionamento, o comércio que tem nas redondezas... No fechamento de um estabelecimento, toda uma cadeia é afetada, e esse impacto o covid trouxe. Não é só um restaurante fechar”, observa. 

Olhar para dentro

Gama acredita que boas práticas de responsabilidade social não precisam estar atreladas às doações vultosas de dinheiro. Pode estar num carinho por quem faz o dia-a-dia das companhias, ou seja, os colaboradores. 

“Cuidar do seu funcionário também é responsabilidade social. Quando você olha internamente e percebe que há pessoas fazendo ações, é possível alavancá-las. Há um funcionário que está produzindo máscaras? Dá para divulgar isso dentro da empresa. Para outras pessoas ajudarem com a linha, com o tecido, com o elástico. Essa também é uma forma de ter responsabilidade social”, frisa. 

Este cuidado se estende às condições de vida do colaborador. “O papel do setor de Recursos Humanos, nesse momento de pandemia, tem sido muito de liderança. É preciso entender quem está bem, quem não está bem, como está o emocional e conversar. O diálogo é a melhor forma. Entenda como está em casa, com os filhos, se tem os pais em casa. É sempre bom manter um olhar humanizado para dentro das organizações”, observa Gama. 

Dinheiro curto = atitude

O profissional de gestão acredita que os recursos mais escassos, em função da crise econômica impulsionada pelo coronavírus, não podem servir como pretexto para não investir em ações de responsabilidade social. 

“A tempestade, o mar, é para todos. Mas alguns estão no transatlântico enquanto outros estão numa canoa furada. As empresas têm que entender que, neste momento, são ações pequenas. Uns mais, outros menos, mas todo mundo deve agir. A inércia é perigosa. Se você não consegue doar R$ 1 bilhão, como um banco, dá para colaborar com o seu pequeno fornecedor. Renegocie com o grande, para poder ajudar o pequeno”.

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