Entenda como Peres se salvou do impeachment no Santos

Vice-presidente Orlando Rollo, que também foi beneficiado pela votação, fala em justiça por parte dos conselheiros

A reunião virtual do Conselho Deliberativo (CD) de Santos, na noite de terça-feira (16), em que os membros do órgão votaram contra o parecer da Comissão de Inquérito e Sindicância (CIS), que previa o impeachment do presidente José Carlos Peres e  do vice Orlando Rollo, chamou a atenção pelo grande número de abstenções. Ao todo, 46% do CD envolvido no encontro por meio de videoconferência optou por se abster. ATribuna.com.br, então, foi em busca de respostas para o ocorrido. 

O total de abstenção representou 75 votos, enquanto 79 conselheiros votaram contra o parecer e apenas seis a favor. 

Um dos motivos justificados pelos conselheiros com os quais a Reportagem conversou foi que o parecer apresentado pela CIS os deixou em situação de difícil escolha. Os membros do órgão não enxergaram força no documento para votar a favor do relatório, que pedia o encaminhamento de Peres e Rollo para o impedimento e afastamento de alguns integrantes do Comitê Gestor (CG); tampouco concordaram em votar contra o parecer, pois entendem que “não é possível absolver Peres” diante da situação financeira em que o clube se encontra. 

Um outro aspecto considerado para a abstenção foi a discordância em relação aos diferentes períodos de punição que seriam aplicados aos membros do Comitê de Gestão, tanto os atuais quanto aqueles que saíram. 

“Se existisse punição justa para todos os 13 associados que fizeram parte do CG na gestão Peres, sem a absolvição daqueles que deixaram o cargo no passado, acredito que o resultado da reunião poderia ter sido diferente”, diz um dos conselheiros sem identificar. 

Além disso, um terceiro item influenciou no excessivo número de abstenções: o impeachment de Orlando Rollo. 

Ao ver que o vice-presidente, caso o parecer da CIS fosse aprovado, seria impedido, os cerca de 60 aliados de Rollo no CD executaram um trabalho de bastidores para convencer parte dos conselheiros a não deixar o documento avançar. 

Desta forma, para não mirar em Peres e, por tabela, acertar em Rollo, a recomendação aos conselheiros foi a da abstenção. 

“Os  aliados do Peres e do Rollo votaram contra o parecer da CIS. Pensaram em livrá-los de qualquer punição. O restante, considerando os que ficaram insatisfeitos com o relatório e não queriam absolver o Peres, somados aos que foram convencidos pela equipe do vice-presidente, optou por se abster”, opina um outro conselheiro. 

“Seria injusto”

Orlando Rollo, no entanto, vê a quantidade de abstenções de outra forma. Segundo ele, a maior parte dos conselheiros notou que puni-lo junto com Peres e os membros do CG “seria injusto”.

“A CIS me incluiu nesse processo numa clara perseguição a minha pessoa. Eu não participei da gestão, não tinha voz e os conselheiros notaram que me punir junto com o Peres seria uma injustiça. Sou o maior opositor do atual presidente, como seria punido no mesmo processo que ele?”, questiona.

Orlando Rollo viu o grande número de abstenções como uma forma de não ir contra a CIS (Foto: Ivan Storti/Santos FC)

Ainda de acordo com o vice-presidente, a decisão dos conselheiros tem um significado particular. “A abstenção de quase metade do Conselho foi uma simbologia, porque o pessoal não quis ir contra a CIS, mas também não quis se colocar a favor das contas do Peres”, acrescentou Rollo.

Procurado para comentar o assunto, o presidente José Carlos Peres não foi localizado pela Reportagem. No próximo round da briga política do Santos, o presidente terá as contas de 2019 avaliadas.

Embora o clube tenha oficialmente fechado o ano passado com superavit de R$ 24 milhões, os conselheiros têm uma série de restrições à forma como foram tocadas algumas negociações, como a venda do atacante Bruno Henrique para o Flamengo e a contratação do peruano Cueva.

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