EDIÇÃO DIGITAL

Segunda-feira

14 de Outubro de 2019

Conselho Fiscal do Santos recomenda reprovação das contas de 2018

Deficit de R$ 77,386 milhões e outros fatos foram denunciados pelo colegiado ao Conselho Deliberativo

O Conselho Fiscal (CF) do Santos recomendará a não aprovação das contas do clube referente a 2018 e o envio do relatório à Comissão de Inquérito e Sindicância para a apuração das responsabilidades individuais dos membros do Comitê de Gestão (CG).

Segundo o documento do CF obtido por A Tribuna, a gestão do presidente José Carlos Peres é “temerária” pelo deficit de R$ 77,386 milhões (mi) e por outros fatos denunciados ao Conselho Deliberativo (CD) por ex-integrantes do CG que deixaram esse colegiado no ano passado.

Por esse motivo, a assembleia ordinária do CD marcada para esta segunda-feira (15), às 19h30, na Vila Belmiro, promete ser tensa, pois a discussão e a votação do parecer do CF sobre as demonstrações financeiras de 2018 do clube consta na pauta do dia.

Um dos principais problemas verificados foi a diferença de R$ 107,347 mi entre a receita projetada e executada no período (R$ 325,125 mi contra R$217,777 mi).

Apesar disso, a administração não apresentou pedidos de suplementação orçamentária ou remanejamento de verbas. Para piorar, o Santos contabilizou uma despesa de 19,81% superior ao que havia sido estipulada. Portanto, gastou R$43,987 mi a mais.

Contratos administrativos

Outro problema na avaliação do CF foi o fato de o clube ignorar algumas recomendações na hora de contratar funcionários como pessoa jurídica.

Um caso em especial exemplifica “um caso inédito” e “totalmente absurdo e que espelha bem a falta de cuidado coma qual as coisas do clube são tratadas”: a contratação do gerente de franquias.

O Santos fechou com essa empresa, mas, na ocasião, ela era franqueada do clube, ou seja, foi empregado um profissional para fiscalizar a própria franquia.

Comissões

Embora o CF recomende que não sejam aceitáveis os comissionamentos pela intermediação em que se paga comissão pela renovação de atletas, o clube gastou R$ 4,829 mi com esse tipo de demanda.

Ao longo do ano passado, o Alvinegro contabilizou 101 demissões sem justa causa ou rescisões de contratos trabalhista, o que gerou um gasto de R$7,7milhões.

Outros R$ 415 mil foram empregados para honrar o fim antecipado de contratos com pessoas jurídicas nos cargos de gerência ou coordenação.

A Reportagem pediu um posicionamento ao clube, mas ele deve se manifestar somente nesta segunda.