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Domingo

20 de Outubro de 2019

Após linda assistência, Evandro diz estar pronto para ser o cérebro do meio-campo do Santos

Três meses após desembarcar na Vila Belmiro, o jogador garante estar readaptado ao futebol brasileiro

Autor da brilhante assistência que permitiu ao jovem Tailson marcar o gol da vitória do Santos sobre o Vasco, por 1 a 0, sábado (5), em São Januário, o meio-campista Evandro se diz pronto para ser o cérebro do time na sequência do Campeonato Brasileiro.

O lindo passe para o Menino da Vila, aliás, não foi a primeira assistência com a camisa alvinegra. Contra o CSA, na Vila Belmiro, Evandro já havia servido Eduardo Sasha com um belo toque de cabeça, no gol que sacramentou o triunfo santista por 2 a 0.

“Estava vindo numa crescente muito grande, mas tive uma lesão muscular que acabou dando uma freada no meu ritmo. Agora me sinto bem. Tenho certeza que o meu jogo vai melhorar com a sequência das partidas. Estou preparado para fazer essa função”, disse ele, que vai ter de fazer uma pausa forçada: expulso contra o Vasco, ele não enfrenta o Palmeiras na quarta-feira (9), na Vila Belmiro.

Contratado em julho, Evandro voltou ao Brasil após oito anos no futebol europeu. Apesar de estar há apenas três meses no Peixe, o meia entende que já está readaptado ao futebol brasileiro.

“A readaptação foi rápida, porque quando voltamos ao nosso país de origem fica muito mais fácil”, explica.

Antes do Santos, no Brasil, Evandro atuou por Athletico-PR, Goiás, Palmeiras, Vitória e Atlético-MG

Sabedor do bom momento do Flamengo, que, na liderança, tem oito pontos de vantagem para o Santos, terceiro colocado, o atleta reconhece as dificuldades para o título. Porém, ressalta que ainda faltam muitos jogos para o fim da competição. 

“Tenho muita vontade de ser campeão brasileiro. Restam muitos jogos. Tenho na minha cabeça que será uma tarefa muito difícil. A diferença de pontos do Flamengo é grande. E além disso, eles (jogadores do Flamengo) estão muito à vontade como time. Porém, a gente ainda briga pelo título”, diz o jogador. 

Protestos e demissões

Evandro pode estar readaptado ao futebol brasileiro em campo. Porém, precisará de tempo para entender o que acontece fora das quatro linhas. Desde que voltou ao país, após o fim do seu vínculo com o Wolverhampton, da Inglaterra, o jogador viu a torcida do Santos protestar após a derrota para o Grêmio na Vila Belmiro, por 3 a 0, mesmo com a equipe na terceira posição, acompanhou cinco treinadores serem demitidos numa mesma semana e torcedores de diferentes clubes invadirem centros de treinamentos para discutir com jogadores. 

“Lá não peguei isso. Nem em relação aos protestos, nem aos treinadores. As coisas são muito mais calmas. Os dirigentes dão mais tempo para os técnicos trabalharem”, comenta. 

Evandro precisa se readaptar à cultura de demissões de técnicos do futebol brasileiro (Ivan Storti)

“No nosso caso, tivemos alguns resultados ruins em casa e ouvi muito que nós cansávamos durante o segundo tempo. Para mim, o fato de querer ganhar de qualquer jeito, de ter aquela obrigação de vencer acaba gerando uma ansiedade nos jogadores e faz com que, num jogo em que poderíamos ter um melhor posicionamento, o time fique bagunçado. Isso nos leva a tomar gols”, acrescenta. 

Bonito e perigoso

Durante os oitos anos fora do Brasil, Evandro viveu a experiência de, na Sérvia, defender o Estrela Vermelha no clássico contra o Partizan, em um dos jogos de maior rivalidade entre torcidas do mundo.

“Foi o clássico com mais vibração que já vi. É um ambiente muito bonito dentro de campo, mas, fora, bastante perigoso. Os estádios dos dois times estão separados por 500 metros. Foi uma experiência muito legal. Se não for o maior, é um dos maiores clássicos do mundo. Não tive receio de jogar, mas lembro que havia muitos confrontos entre os torcedores e a polícia. Não era incomum, por exemplo, enquanto estávamos jogando, ver, nas arquibancadas, os torcedores destruindo tudo”.

Na passagem pelo futebol português, onde defendeu o Estoril e o Porto, entre 2012 e 2017, Evandro enfrentou por algumas vezes o Benfica do atual técnico do Flamengo, Jorge Jesus. E, baseado nesse período de confrontos, não tem dúvidas em afirmar que o português é diferenciado. 

"Enfrentei o Jorge Jesus muitas vezes, e no período em que estive em Portugal, ele, no Benfica, conquistou todos os campeonatos. Depois não foi muito bem no Sporting. Mas lembro de no Porto termos um grande time e não conseguirmos ser campeões, porque o Benfica dele dominou. O Jesus não está no nível do José Mourinho, mas está em um patamar de altíssimo nível de treinadores”. finaliza o meio-campo.

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