EDIÇÃO DIGITAL

Terça-feira

11 de Agosto de 2020

Rosicleia Campos e Ana Richa compartilham alegrias da maternidade

Ex-atletas falam do desafio de conciliar esporte e cuidados com filhos

Judô e Vôlei são esportes com poucas características em comum. Mas, apesar de experiências distintas, a ex-judoca Rosicleia Campos e a ex-jogadora de vôlei Ana Richa tem histórias que se aproximam. Além do sucesso na profissão, ambas fazem parte da equipe de mamães esportistas que ficaram marcadas na história.

A dupla possui currículo de grandes competições na carreira, a ex-lutadora mãe do casal de gêmeos Matheus Crispim e Ana Clara, que completam 7 anos de idade no próximo dia 25, disputou os Jogos Olímpicos de Barcelona (1992) e Atlanta (1996). Defendendo o Flamengo foi campeã estadual 16 vezes, eneacampeã brasileira e heptacampeã sul-americana. Apesar de ter se aposentado do dojo, permanece servindo à arte marcial. Atualmente é a técnica da seleção brasileira feminina e do Flamengo, além de coordenadora da Confederação Brasileira de Judô (CBJ). Sob seu comando, Sarah Menezes conquistou medalha de ouro nas Olimpíadas de Londres (2012), o primeiro na história do judô feminino.

“É muito complexo, vivo um dilema desde o nascimento deles. Foi uma gravidez muito desejada, e, por terem nascido no período da Rio 2016, aos 3 meses voltei a trabalhar, o que me gerou um tremendo sentimento de culpa. Eu me questionava a cada segundo sobre a mulher mãe e a mulher profissional, e assim seguimos até hoje”, diz a treinadora sobre o desafio de conciliar trabalho e maternidade.

Já Ana, mãe de Rodrigo, 29 anos, Eduardo, 23, e Luísa, 13, também participou de duas edições dos Jogos Olímpicos, em Los Angeles (1984) e Seul (1988), além dos Mundiais de 1986 e 1990. Por clubes, alcançou o bicampeonato brasileiro nas edições de 84/85 (pelo Bradesco) e 87/88 (pelo Lufkin). Depois das quadras, formou dupla nas areias com Larissa e conquistou medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo (2003). Hoje é técnica de vôlei em uma escolinha no Leme, zona sul do Rio de Janeiro.

“Fui mãe bem jovem e minha vida de atleta mudou. Tive que me adaptar e levava meus filhos sempre que podia para treinos e competições. Quando não era possível, meu marido e minha mãe ajudavam”, afirma a ex-jogadora sobre os tempos de atleta, quando engravidou, aos 24 anos, de seu primeiro filho.

Ela representou a seleção brasileira por 10 anos, sendo 4 como capitã, e conta que passou para os filhos o prazer pela atividade física: “Meu filho mais velho jogou basquete, já o do meio praticou vôlei, porém ambos pararam quando tiveram que optar entre a faculdade e o esporte. A Luísa começou a jogar, e adora. Sempre os incentivei a praticarem e vivenciarem um esporte, e eles fizeram vários: natação, capoeira, balé, judo. Adoro vê-los competir”.

Ana Richa e sua família (Foto: Arquivo pessoal)

É desde pequeno que se aprende, diz o ditado. Ainda com os filhos vivendo a fase infantil, a treinadora da seleção brasileira explica como é a relação entre mãe, crianças e esporte: “Eles fazem judô na escola, mas sem pressão, por enquanto [cai na gargalhada]. Não sei se serão atletas, mas farão judô obrigatoriamente, por conta de toda a filosofia que esse esporte agrega. Passo boa parte do meu tempo estudando e assistindo vídeos, e ambos conhecem as atletas da seleção e torcem. Fico muito feliz por eles me acompanharem nesses momentos”.

As duas foram taxativas em relação a ver as crias competindo. Ana Richa diz: “Muito mais difícil estar [do lado de] fora”, em comparação à época de competidora. Já Rosicleia, que ainda não passou pela experiência, imagina como seria: “Jesus. Infarto agudo do miocárdio. De verdade, não sei se sobreviveria”.

A mãe de Rodrigo, Eduardo e Luísa também fala sobre o futuro do esporte após a pandemia do novo coronavírus (covid-19). Apesar de ela não conseguir vislumbrar o que pode acontecer, expressa o desejo de mudança: “Não sei como será o esporte pós-pandemia, e nem as relações entre as pessoas. Mas, com certeza, temos que mudar para um esporte mais inclusivo e de massa, principalmente nas escolas, visando não apenas o alto rendimento, mas também a educação e saúde”.

Já a mãe de Matheus e Ana Clara acredita que a covid-19 vai impactar as competições de alto rendimento: “Vejo tempos difíceis, infelizmente. Alto rendimento requer viajar e competir fora do país, então estamos falando em dólar e euro. Enfim, oremos para que, dentro de nossas limitações, consigamos alcançar performance”.

Neste segundo domingo de maio, dia 10, Ana Richa aproveita para mandar um recado para todas a mamães competidoras: “Mamães atletas, é difícil treinar o dia todo, forte, e ainda ter energia para cuidar e brincar com os filhos. Mas o sorriso deles é a nossa maior vitória”.

Por outro lado, Rosicleia faz questão de destacar a resistência feminina no dia de hoje: “Amadas e poderosas mães, quando Deus nos escolheu e nos concedeu essa tarefa sabia exatamente da nossa capacidade de suportar e se reinventar. Vamos que vamos! Sairemos fortalecidas e sempre um dia de cada vez”.

Tudo sobre: