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Terça-feira

12 de Novembro de 2019

Entenda a história do funcionário de Fernando, ex-Grêmio, que foi preso por tráfico internacional

Robson Oliveira foi contratado pelo volante para trabalhar em sua casa, na Rússia. Lá, o homem foi detido por carregar uma substância ilícita, enviada pela família do jogador

O programa Esporte Espetacular, da TV Globo, dedicou cerca de 20 minutos de sua edição deste domingo (1º) a uma história envolvendo o volante Fernando, revelado pelo Grêmio e que, atualmente, tem contrato com o Beijing Gouan, da China. Um funcionário contratado pelo jogador para trabalhar em sua casa, na Rússia, onde morava enquanto defendia o Spartak Moscou, foi detido no aeroporto da capital russa por portar metadona, substância considerada ilícita no país transcontinental e que foi enviada pela sogra do atleta.

A reportagem conta que o pesadelo vivido por Robson Oliveira, o funcionário de Fernando, teve início em novembro do ano passado. Tudo começou quando a sogra do jogador, Sibele Rivoredo, convidou Robson e sua esposa, Simone Barros, para prestarem serviços ao volante e sua mulher, Raphaela Rivoredo, na casa do casal, em Moscou, como motorista e cozinheira, respectivamente.

Após terem trabalhado na festa de reveillón da família de Fernando no Rio de Janeiro como 'teste', Robson e Simone partiram para a Rússia. Em uma das malas do casal continham encomendas enviadas pela família do jogador. Os dois foram orientados pela sogra de Fernando sobre a bagagem. Porém, chegando em Moscou, Robson e Simone foram parados pela imigração russa por estarem caregando duas caixas do remédio Mytedom, cloridrato de metadona, de 10mg.

O medicamento, que é tarja preta no Brasil, é um comprimido receitado sobretudo a pessoas que convivem com fortes dores, mas também auxilia no tratamento de recuperação de viciados em ópio e heroína. Na Rússia, a metadona é considerada entorpecente, e a quantidade transportada infringe a lei do país, o que faz a substância ser considerada ilícita.

Um outro funcionário que já trabalhava para Fernando, William Rodela, que estava encarregado de buscar o casal brasileiro no aeroporto, viu a situação e foi autorizado a entrar na sala de imigração para ajudar os compatriotas na tradução. Enquanto isso, Simone se comunicava, por um aplicativo de mensagens, com Sibele, que alegou que os remédios eram legais e haviam e sido receitados, e que pertenceriam a ela, ao marido William Faria e à filha Raphaela.

Depois de 17 horas de espera no aeroporto e de baterias de exames, Robson e Simone foram liberados e puderam entrar na Rússia, mas a investigação por parte do governo local continuou. A trama teve continuidade cerca de um mês depois. Robson, Fernando, Raphaela e Rodela foram à delegacia do aeroporto em Moscou, onde Robson prestou depoimento e, depois, foi encaminhado para a unidade penal de Kashira, a 110 quilômetros da capital russa.

Desde então, já se passaram mais de cinco meses e o funcionário contratado pelo volante permanece detido na Rússia, enquanto vários pontos da história permanecem sem esclarecimento, declarações da família de Fernando apontam contradições e a apuração do caso segue ocorrendo. Robson pode pegar uma pena de 25 anos pelo acontecimento, por se enquadrar em um crime de tráfico internacional de drogas.

No fim de julho, o jogador e Raphaela, sua esposa, se mudaram para a China. O casal deixou para trás seus pertences, como mostrou a matéria do Esporte Espetacular, e o jogador se transferiu do Spartak Moscou para o Beijing Gouan sem contar aos seus companheiros de time o que estava acontecendo extracampo. O clube russo não quis, até o momento, se pronunciar sobre o caso.

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