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Quarta-feira

22 de Maio de 2019

Roberto Debski

Roberto Debski mora em Santos, é médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e psicólogo formado pela Universidade Católica de Santos. É especialista em acupuntura e homeopatia pela Associação Médica Brasileira, pós graduado em Atenção Primária à Saúde e tem diversas formações em Práticas Integrativas e Complementares, Meditação, Constelações Familiares Sistêmicas, EMDR e Coaching. Com foco na saúde física, mental e Qualidade de Vida, estimula a mudança no comportamento, no estilo de vida e na consciência, a fim de melhorar os resultados dos tratamentos clínicos, dos relacionamentos interpessoais e do bem estar.

Probióticos, conheça as "bactérias do bem"

Os probióticos, conhecidos como as "bactérias do bem", são microorganismos presentes em nosso intestino e tem múltiplas funções, nos ajudando a manter a imunidade, a saúde e o bom humor.

Seu uso mais conhecido é para recompor a flora intestinal, como no caso de doenças gastrointestinais, as diarréias, tão comuns e prevalentes nessa época do verão.

Há várias linhas de pesquisa que descortinam outras possibilidades de uso dos probióticos, menos convencionais do que sua utilização nas gastroenterites (GECA), relacionando seu uso à melhora dos sintomas emocionais, devido à descobertas de uma curiosa ligação entre o cérebro e os intestinos.

Foi feito um estudo com 710 estudantes de psicologia no College of William and Mary, publicado em abril de 2015 na revista Psychiatry Research. 

Os estudantes responderam questionários sobre seu consumo de alimentos fermentados, os quais contém em sua composição os probióticos, e também foi avaliada a presença de neurose e ansiedade, com comprovação que o uso de probióticos melhora os sintomas da ansiedade social.

Dr. Matthew Hilimire, PhD, que é professor assistente no Departamento de Psicologia do College of William and Mary, Williamsburg, Virginia, afirmou que “embora nosso estudo não possa ainda determinar definitivamente uma relação causal entre o consumo dos alimentos fermentados e a ansiedade social, nossos achados de estudos pré clínicos e clínicos sugerem que a ingestão destes alimentos fermentados pode diminuir a ansiedade social”.

Há indícios cada vez maiores do efeito benéfico do uso dos alimentos ricos em probióticos nessas condições de saúde.

Dr. Hilmire refere que “futuros estudos poderão testar aplicações potenciais como suplementar tratamentos medicamentosos ou terapia comportamental com alimentos fermentados”.

Atualmente há um crescimento no estudo da “interação Cérebro-Intestino” (Gut-Brain conexion).

Essa e outras pesquisas demonstram que a saúde do cérebro e nossas emoções tem conexão direta com a saúde de nosso intestino e com a qualidade da alimentação que ingerimos.

O intestino é conhecido como “segundo cérebro”, devido a essa conexão, que se dá através das citocinas inflamatórias, e demais neurotransmissores, também modulando o sistema imunológico.

Esse tema tem sido objeto de estudos cada vez mais esclarecedores sobre nossa saúde física e mental.

Dr. Hilimire explicou que “os probióticos reduzem a permeabilidade da mucosa do intestino, assim as substâncias prejudiciais dos alimentos não vazam para a circulação sanguínea".

Os probióticos também reduzem a inflamação dos intestinos.

Muitas vezes a ansiedade é acompanhada por sintomas gastrointestinais, como dor de estômago, alteração no funcionamento dos intestinos, e a redução da inflamação ajuda a reduzir esse sintomas. 

Ainda segundo Dr. Hilmire, os “probióticos também modificam a resposta do organismo ao estresse, e a resposta de estresse é altamente relacionada à desordens da saúde mental, como a ansiedade social". 

O consumo de leite fermentado rico em probióticos tem como consequêcia redução da resposta do cérebro às expressões faciais negativas, o que contribui para reduzir a ansiedade social”.

Os probióticos são microorganismos vivos que possuem como efeito positivo principal o equilíbrio da flora microbiana intestinal.

São presentes em nosso organismo numa proporção cerca de 10:1 em relação à nossas células, ou seja, há cerca de 10 vezes mais células em nossa flora intestinal do que as células em nosso corpo. Convivemos em harmonia com essas células em uma relação simbiótica e necessitamos de sua presença para termos saúde.

Seu consumo restaura a integridade da mucosa intestinal, harmoniza a flora intestinal tornando-a saudável, melhora os sintomas da ansiedade, atua na imunidade, na regularização do trânsito intestinal, e são importantes como complementação ao tratamento da síndrome do intestino irritável.

Diversas linhas de pesquisas comprovam também sua importância na obesidade, e em outras doenças, com efeito positivo tanto como auxiliar no tratamento como na prevenção.

Gestantes e crianças devem buscar a orientação de seu médico assistente antes de consumir medicamentos probióticos.

Como qualquer outro medicamento, deve-se sempre estar atento às alergias e observar as possíveis contra indicações específicas ao uso dos probióticos, embora sejam raros esses efeitos.

Em caso de doenças graves converse com seu médico sobre a utilização dos alimentos e medicamentos probióticos como complementares ao tratamento.

Roberto Debski

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