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Terça-feira

26 de Março de 2019

Roberto Debski

Roberto Debski mora em Santos, é médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e psicólogo formado pela Universidade Católica de Santos. É especialista em acupuntura e homeopatia pela Associação Médica Brasileira, pós graduado em Atenção Primária à Saúde e tem diversas formações em Práticas Integrativas e Complementares, Meditação, Constelações Familiares Sistêmicas, EMDR e Coaching. Com foco na saúde física, mental e Qualidade de Vida, estimula a mudança no comportamento, no estilo de vida e na consciência, a fim de melhorar os resultados dos tratamentos clínicos, dos relacionamentos interpessoais e do bem estar.

Para que serve a Inteligência Naturalista?

Convivemos dia a dia com notícias alarmantes em relação aos problemas da natureza que potencialmente podem causar graves consequências para nossa vida, para o planeta e para o futuro de nossos filhos, netos e as próximas gerações.
Qualquer pessoa minimamente consciente, não alienada, olha adiante, tem dúvidas, se questiona. 
Há inúmeras questões e incógnitas a respeito dos acidentes ambientais, buraco na camada de ozônio, dependência dos combustíveis fósseis, aumento da poluição, efeito estufa, derretimento das calotas polares e elevação dos mares, contaminação nuclear, uso pouco consciente das reservas naturais, comportamento predatório contra a natureza, superbactérias invencíveis, transgênicos são ou não seguros, consumismo, descarte e acúmulo de lixo, desmatamento...
Escolha entre essas e outras possíveis causas de futuras tragédias ambientais e ecológicas.
Para essas questões, ainda há muitas dúvidas e poucas certezas.
Não há como não nos preocuparmos.
O ser humano, a espécie “inteligente” e “evoluída” do planeta está destruindo seu próprio habitat, a Terra, mãe Gaia. Seria irônico se não fosse trágico.
Notícias e fake News, discussões, alertas, documentários, filmes levantam dúvidas e perguntas, por vezes mais confundem que esclarecem.
Como enunciou Al Gore em seu interessante documentário, se trata de uma “Verdade Inconveniente”.
A natureza irá se “vingar”? Ficaremos sem alimentos? A vida no planeta irá acabar? Teremos que colonizar outros planetas? Nossos filhos terão um planeta viável para viver?
Descontando o alarmismo, buscando os fatos e olhando para as possibilidades de futuro, uma das poucas certezas que temos é que é preciso mudar a maneira como nos relacionamos com o meio ambiente, se quisermos que existam possibilidades de um futuro saudável para a humanidade.
Não há como continuar com o estilo de vida atual e esperar que as condições melhorem.
Existe um tipo de inteligência precisamos desenvolver e aprimorar para aprendermos a lidar satisfatoriamente com essas desafiantes demandas.
É a chamada Inteligência Naturalista.
Ela é relacionada com questões da natureza, da vida animal, vegetal, e dos fenômenos climáticos e naturais, e se trata de uma inteligência essencial para a sobrevivência no planeta.
Graças a isso o cientista Howard Gardner a incluiu em sua instigante teoria das “Inteligências Múltiplas”, aproximadamente na mesma época em que surgiu o popular conceito da “Inteligência Emocional”, popularizado por Daniel Goleman.
O conceito das Inteligências Múltiplas foi  definido por uma equipe de cientistas da Harvard University, liderada pelo psicólogo Howard Gardner. 
Esses estudos tinham como finalidade aprofundar e ampliar o conceito de inteligência.
Dr. Gardner afirmou que o conceito de inteligência tradicionalmente utilizado há décadas, o QI ou Quociente de Inteligência, era certamente insuficiente para descrever a imensa variedade de habilidades cognitivas, emocionais e corporais que possuímos.
Dr. Gardner enumerou outros tipos de inteligências, e postulou que cada indivíduo possui habilidades maiores ou menores em algumas delas.
As Inteligências Múltiplas de Gardner são: Inteligência lógico-matemática, linguística, musical, espacial, corporal-cinestésica, intrapessoal, interpessoal, existencial e naturalista, e certamente outras poderão ser acrescentadas após novos estudos.
Todos nós temos todos os diversos tipos de inteligências, porém algumas são mais presentes e desenvolvidas do que outras. 
Ninguém consegue ter elevado índice de inteligência em todas as áreas, temos dificuldades em algumas e facilidade em outras
A boa notícia é que através de treinamento podemos nos aprimorar e desenvolver certo grau de habilidade onde nos faltam recursos.
A pessoa dotada de inteligência naturalista tem a percepção dos problemas e necessidades ambientais, ecológicas, consegue diferenciar e categorizar as questões relacionadas com a natureza em geral, com uma visão sistêmica e ecológica.
Charles Darwin, o responsável pela elaboração da teoria da evolução das espécies por meio da seleção natural foi um dos principais expoentes da inteligência naturalista já que, através de seus estudos minuciosos e sistemáticos conseguiu nos trazer uma complexa teoria de evolução das espécies vegetais e animais no planeta que é válida até os dias atuais.
As pessoas que viviam em áreas rurais, sem tecnologia, em meio a natureza, tinham uma inteligência naturalista muito mais desenvolvida.
Sabiam o tempo e a maneira de plantar e de colher, de cuidar dos animais, conseguiam se localizar sem instrumentos somente olhando para o céu, suas estrelas e constelações, sabiam quando o clima mudaria e tinham uma grande percepção sistêmica ambiental e da natureza.
Na atualidade, nos grandes centros, vemos crianças que nunca tiveram contato direto com espécies animais comuns como galinhas ou porcos, nem sabem diferenciar tipos de frutas e verduras quando questionadas.
Se quisermos melhorar nossa inteligência naturalista em meio a tanta tecnologia em nossas vidas vividas diariamente dentro de ambientes internos, precisamos, sem excluir esses, certamente tão necessários, incluir e ampliar nosso contato com a natureza, aprender a aquietar a mente e observar, perceber e sentir os fenômenos naturais, climáticos, movimentos do ambiente, o céu, as marés, as aves, as estações, a vegetação natural, a atividade dos animais, o crescimento das plantações, enfim, retomar o contato mais amplo com a natureza, que é muito diferente do modo como lidamos com a tecnologia.
Roberto Debski

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